Cubatão pode ficar sem Cine Roxy

A Prefeitura cedeu as instalações no Parque Anilinas para o Grupo Roxy de Cinemas e recebe 11,5% da bilheteria para os cofres municipais. Foto: Aderbau Gama

Por causa de confusões administrativas do governo Ademário Oliveira (PSDB), contrato para manutenção do cine Roxy no Parque Anilinas não foi prorrogado em julho passado e cinema pode fechar. E se isso for confirmado será uma perda imensa para a cidade, que tem raras opções de lazer e cultura nos últimos anos. A reportagem procurou a Prefeitura para ter um posicionamento oficial, mas até o fechamento desta edição do jornal “Povo de Cubatão”, não houve qualquer manifestação.

O Cine Roxy é tradicional da região da Baixada Santista e tem salas de cinema no bairro do Gonzaga em Santos, na Avenida Ana Costa e no Shopping Pátio Iporanga, além do Shopping Brisamar de São Vicente. Quando a Prefeitura de Cubatão reformou completamente o Parque Anilinas, a contratação do cinema para funcionar no prédio do Centro Multimídia, em 2012, garantiu ao espaço uma movimentação diferenciada e uma atenção maior à segurança dos munícipes que frequentam o local.

Cubatão não tem muita sorte com os equipamentos culturais. O Bloco Cultural, que fica localizado entre os prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores, no Paço Municipal Piaçaguera, no Centro, está com problemas estruturais no telhado e sistema de ar condicionado, deteriorando o espaço a olhos vistos, sem que o poder público atue para a sua reforma completa e requalificação. Hoje as bandas Sinfônica e Marcial estão acolhidas no Bloco e os seus instrumentos correm risco por conta das goteiras nos períodos de chuvas na cidade.

O teatro municipal, que ficou 30 anos esperando para ser concluído, na Avenida Henry Borden, esquina com a Avenida Nove de Abril, funcionou algumas vezes, nos governos de Nei Serra, Clermont Castor e desde o início de Marcia Rosa foi paralisado e abandonado. O prefeito Ademário Oliveira (PSDB) conseguiu aprovar na Câmara Municipal a transferência do prédio para a área da Saúde e segundo a Fundação São Francisco Xavier – FSFX até o final deste ano novos serviços de medicina estarão disponíveis para a população em sua estrutura.

Cinema – Resta para a Cultura da cidade o Cine Roxy 3, inaugurado em 2012 com duas salas de cinema e capacidade de 200 lugares cada uma, dentro dos melhores padrões com revestimento térmico, acústico e todos os equipamentos da moderna tecnologia para o setor. São salas que obedecem o mesmo projeto das que o grupo possui em Santos e na região, com poltronas no estilo estádio e som estéreo.

O último cinema em Cubatão, antes do Roxy 3, Cine Millennium durou até o ano 2000. Os moradores do município, quando queriam ir ao cinema precisavam ir a Santos ou a Praia Grande, mas com o contrato feito com a empresa do Roxy, nos últimos 5 anos, a Prefeitura ainda conseguiu para os seus cofres, cerca de R$ 700 mil, sendo 10% para a conta geral e 1,5% para o Fundo de Cultura, que inexistente e desregulamentado, não registra nenhum aporte.

Contrato – A reportagem do jornal “Povo de Cubatão” teve acesso a informações de que o contrato da Prefeitura com a empresa Roxy deveria ter sido renovado até o final do mês de julho de 2017, mas não foi por duas divergências internas e administrativas do governo Ademário: a primeira em decorrência de quem seria o responsável para resolver essa pendência – Secretaria de Turismo (que é responsável pelo Parque Anilinas) ou Secretaria de Cultura? A segunda, por conta de pareceres judiciais da Procuradoria Municipal, que se posicionou contrariamente à prorrogação do contrato, mesmo em “caráter excepcional” por conta dos prejuízos ao lazer e à cultura cubatenses, defendendo a realização de uma nova licitação pública.

Diante do impasse, o Roxy 3 permaneceu na cidade, sem contrato e de maneira irregular. Com isso, os percentuais arrecadados com os ingressos e parte também da bombonière não podem ser repassados a Prefeitura, aguardando a licitação que o governo atual não divulgou até agora. Se essa situação continuar sem alteração, nos próximos dias Cubatão será obrigada a assistir fechadas as portas das suas duas salas de cinema.

Estado estudará dragagem em rios de Cubatão

Cinco rios de Cubatão serão alvo de estudos pelo DAEE para dragagem.

Cinco rios de Cubatão serão alvo de estudos pelo DAEE para dragagem.

O Departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE anuncia o investimento de R$ 1,7 milhão para pesquisa sobre remoção de lodo, areia e sedimentos dos rios que cortam o município, desassoreando-os para facilitar o escoamento da água nos meses mais chuvosos.

Esse estudo hidráulico e hidrológico dos rios Cubatão, Perequê e Mogi, cujas cheias anuais são as principais causadoras de enchentes nas zonas residencial e industrial de Cubatão, servirá de base para os projetos técnicos e obras de desassoreamento deles.

Desde 2010, a Prefeitura e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – CIESP vinham reivindicando esse trabalho. Foi quando o Governo do Estado, por meio da Sabesp, Cetesb e DAEE, comprometeu-se a incluir os rios da Cidade no Programa de Desassoreamento do Estado de São Paulo, durante reunião com promotores do Ministério Público do Meio Ambiente.

Em 2012, o DAEE informou que não tinha recursos para essa ação, levando a Prefeitura a insistir na importância dos estudos junto ao Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista – Condesb e no Comitê de Bacias Hidrográficas da Baixada Santista – CBHBS.

As enchentes de fevereiro de 2013, que desabrigaram centenas de moradores do bairro Água Fria e paralisaram o centro comercial, foram decisivas para que em maio desse ano o CBHBS aprovasse a liberação de recursos para os estudos preliminares de dragagem, na época calculados em R$ 1,2 milhão.

Como será – Os estudos do DAEE, que serão feitos por meio da fundação Centro Tecnológico de Hidráulica, consistirão no mapeamento das zonas consideradas críticas para ocorrência de enchentes, em uma extensão total de 25 km. Levarão em conta o Plano Municipal de Contingência para Enchente, elaborado em 2013 pela Comissão Municipal de Defesa Civil – Comdec, da Prefeitura, com base em dados colhidos a partir de 1970.

O objetivo é apontar as melhores opções de intervenções nesses rios para minimizar os riscos de inundações urbanas. Mas como esse estudo será feito em 2016 e levará pelo menos 12 meses, há risco de novas inundações neste verão.

Mapeamento – O Rio Cubatão recebe água do sistema Billings/Guarapiranga através da UHE Henry Borden. Após o aproveitamento energético, a água é parcialmente usada nos abastecimentos públicos da Baixada Santista e industrial de Cubatão.

O estudo no Rio Cubatão será realizado no trecho entre a foz dos rios dos Pilões e Mogi. O trecho a ser considerado nos rios Perequê e Mogi está localizado na planície da Baixada Santista, não incluindo os trechos de serra.

Mais problemáticos – Os trechos mais problemáticos do Rio Cubatão vão da região de Pilões, perto da estação de captação da Sabesp, até o centro urbano, e no Rio Casqueiro desde as imediações da Avenida Beira Mar, até o Jardim Caraguatá.

E, também, ao longo de todo o trecho do Rio Mogi que cruza a área industrial na região de Piaçaguera (imediações da Usiminas, principalmente). O assoreamento do Rio Cascalho afeta os bairros Vila Nova e Vila São José.

Contingência – De acordo com o Plano de Contingência, 48 mil pessoas (um terço da população da Cidade) moram nas áreas de risco de inundação em Cubatão, que compreendem os bairros Vila Elizabeth, Jardim São Francisco, Vila Nova, Vila Natal, Vila São José, Ilha Caraguatá, Vale Verde, Caminho dos Pilões, Vila Esperança, Vila dos Pescadores, Água Fria, Costa Muniz, Jardim Ponte Nova, Sítio Cafezal, Vila Noel e Jardim Anchieta.

Também são áreas consideradas inundáveis aquelas onde se encontra o Polo Industrial, cruzadas pelos rios Cubatão, Mogi e Perequê, que serão objeto dos estudos anunciados agora pelo DAEE.

Estes rios, devido, principalmente às chuvas torrenciais da época de verão, arrastam, a partir de suas nascentes, na Serra do Mar, grande quantidade de terra, vegetais e outros tipos de entulhos, o que provoca o assoreamento (obstrução) de seus leitos. Por causa disso, precisam ser desassoreados a cada cinco anos. Faz 20 anos que isso não acontece.

Os rios e as enchentes– Cubatão possui cinco rios: Cubatão, Perequê, Cascalho, Pilões e Rio das Pedras, todos eles pertencentes à bacia do Rio Cubatão, que ocupa 177 km2 e situa-se entre a Grande São Paulo e a Baixada, na vertente atlântica da Serra do Mar. A cidade conta, ainda, com três braços de mar (comumente chamados de rios): Casqueiro, Paranhos e Sant’Ana.

Entre as grandes inundações causadas pelos cursos de água consta a de 24 de janeiro de 1988, quando ocorreu uma enxurrada na Cota 95, na qual morreram 10 pessoas, sendo decretado nível de alerta máximo. Em 4 de fevereiro do mesmo ano, um temporal provocou a inundação de toda a cidade, parando o Polo Industrial e bloqueando a Rodovia Cônego Domênico Rangoni.

Em 7 de fevereiro de 1994, as enxurradas paralisaram a Refinaria Presidente Bernardes, tendo sido destruídos 9 gabiões (diques de contenção) e um tanque de combustível.