Escola gratuita de atores em Cubatão não consegue patrocínios para 2018

Teatro do Kaos faz das tripas coração para se manter vivo e em movimento.

Uma notícia muito negativa para a Cultura vem circulando nas redes sociais desde o fim do mês de novembro passado: o Teatro do Kaos, que mantém uma escola gratuita de teatro em Cubatão, graças aos projetos que o seu idealizador Lourimar Vieira e equipe sempre aprovaram no Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, não conseguiu um centavo de apoio das empresas da região, que poderiam abater 100% no imposto de renda se patrocinassem os cursos destinados à formação de atores e atrizes da cidade.

Lourimar disse que mais uma vez o projeto foi aprovado, “como nos últimos 7 anos, mas desta vez não arrumamos o patrocínio de uma única empresa, mesmo parcial”. Do poder público – Secretaria Municipal da Cultura da Prefeitura de Cubatão – com a crise financeira da Cidade, também nenhum sinal positivo foi manifestado.

Nessa mesma época, no ano passado, graças ao patrocínio da Copebrás, o Teatro do Kaos estava com inscrições abertas para 140 vagas, divididas entre os níveis iniciante (100), para adolescentes entre 12 e 17 anos, intermediário (20), para idosos a partir dos 60, e avançado (20), para jovens entre 16 e 29 anos. As aulas aconteceram de uma a quatro vezes por semana, de acordo com o módulo cursado.

Oportunidade – “O objetivo do nosso projeto é que ele continue a trazer benefícios para a sociedade por meio da arte. Queremos oferecer aos jovens a oportunidade do contato com atividades lúdicas e culturais, além de despertar o gosto pela arte cênica”, ressalta o gestor do projeto, ator e diretor Lourimar Vieira.

As aulas sempre foram ministradas no Teatro do Kaos, localizado na Praça Coronel Joaquim Montenegro, 34, no Largo do Sapo, em Cubatão. Informações sobre a possibilidade de apoiar essa iniciativa e manter viva a escola teatral cubatense, podem ser obtidas pelos telefones (13) 99124 7470 e 3372 7211.

Resultados alcançados – Nos últimos sete anos de trabalho, 1.823 pessoas foram atendidas, destas qualificando profissionalmente 150 atores e possibilitando que 1.673 alunos participassem da Oficina de Teatro em contra turno escolar no município.

84 peças foram encenadas pelos alunos dos projetos, muitas das quais circularam por 30 cidades nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Piauí, Espírito Santo, Ceará e Rio Grande do Sul.

A escola Teatro do Kaos comemora também os fatos de que a peça “A Falecida”, encenada por alunos do projeto, foi eleita o “Melhor Espetáculo do Litoral e Interior do Estado de São Paulo”, pela Cooperativa Paulista de Teatro; e o ingresso de 3 anos formados pelos projetos cubatenses na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo – EAD/USP.

O município de Cubatão ainda não conseguiu concluir uma obra de teatro para atender à sua comunidade (o Municipal, depois de 30 anos inacabado, vai virar unidade de saúde da Prefeitura; e o Anilinas, patina na burocracia da Prefeitura, com as obras e instalações paralisadas desde 2014). O espaço ocupado pelo Teatro do Kaos revela por si só a resistência dos artistas locais, que o mantém em atividade a duras penas, contando às vezes com o apoio do poder público municipal, e mais vezes dos governos do Estado (PROACs) e Federal (Lei Rouanet), além das indústrias e do comércio local.

Despontam, desde o início do ano passado, as atividades do Galpão de Experimentos de Artes, por iniciativa de um dos 13 coletivos independentes – integrantes do Coletivo 302 – no interior do Parque Anilinas, em espaço anteriormente ocupado por materiais inservíveis e ferramentas da Prefeitura. Sander Newton, não esconde as origens: “Somos frutos do Teatro do Kaos e após a formação no curso passamos a nos reunir em espaços alternativos para ensaiarmos. Conforme fomos amadurecendo a ideia do grupo, percebemos que precisávamos um espaço para os ensaios e apresentações, e passamos a olhar a nossa cidade com outros olhos. Não imaginávamos, no entanto, que o espaço ideal estaria tão perto de nós, aqui no Anilinas”.

Nesse caso, a Secretaria da Cultura autorizou que os próprios artistas revitalizassem o barracão, com o apoio de seus familiares e do comércio cubatense, para que pudessem executar as suas contrapartidas com a Lei de Incentivo Estadual do PROAC, conquistado no final de 2016 e viabilizado em 2017. Espaços em escolas municipais também são cedidos para ensaios e preparação de peças por outros coletivos do Município.

Largo do Sapo pode se tornar Largo da Cultura

Prefeita Marcia Rosa se compromete com artistas cubatenses

Prefeita Marcia Rosa se compromete com artistas cubatenses

Durante as comemorações dos 482 anos da Fundação do Povoado de Cubatão, com ato solene na Praça Coronel Joaquim Montenegro (Largo do Sapo), na tarde de terça-feira (10), houve pronunciamento de autoridades do Município e a equipe do Teatro do Kaos, com figurinos de época, encenou o momento em que Martim Afonso de Souza doou a Rui Pinto a área que viria a se transformar no município, séculos depois.

A carta que registra a doação, datada de 10 de fevereiro de 1533, menciona pela primeira vez o nome Cubatão. “Esta é uma data significativa já que reafirma a nossa cidadania”, afirmou o secretário de Cultura, Welington Ribeiro Borges. Mas ele fez questão de desmistificar um fato histórico: apesar de receber a doação das terras, Rui Pinto nunca residiu na cidade. “Aqui, no Largo do Sapo, ficava o porto geral, que fazia a ligação do Planalto com o porto de São Vicente e, posteriormente, com o porto de Santos”.

Segundo Borges, apenas no final do século XVIII o local foi ganhando contornos de um povoado. “Em 1754, para ligar São Paulo ao porto de Santos, foi entregue a Calçada do Lorena, que ainda hoje conta com um trecho de 1.500 metros na serra. Temos sempre de conhecer para valorizar nossa história”.

Preservação – A prefeita Marcia Rosa (PT) informou que continuam as tratativas para garantir a preservação do Largo do Sapo e das casas que resistiram ao longo de décadas ao pesado tráfego de veículos que passa pelo local. “O primeiro porto geral do País precisa ser reconhecido. Temos uma história que deve ser preservada. Aqui surgiu a certidão de nascimento de Cubatão”.

Marcia Rosa disse que pretende transformar o largo em um espaço cultural, um ponto de encontro de quem produz e consome arte e cultura. Mas para isso seria preciso desapropriar os imóveis históricos, hoje nas mãos de particulares. Ela espera sensibilizar os proprietários no sentido de que doem a área ao município.

Também participaram do ato solene o vice-prefeito Donizete Tavares do nascimento, secretários municipais e vereadores. A performance do Teatro do Kaos teve a participação e direção de Lourimar Vieira, que durante a semana havia divulgado pelo Facebook um manifesto em defesa da preservação do Largo do Sapo. Nesse documento aos usuários dessa rede social importante, Lourimar alerta para o local, que também abriga o único teatro da cidade de Cubatão (o Teatro do Kaos), “símbolo de luta e resistência cultural”, que está em risco diante da possibilidade da destruição pelo grande volume de caminhões com containers.

“Reivindicamos a prefeita, a preservação do local, desapropriando as casas tombadas, para transformar o Largo do Sapo em Largo da Cultura”, acentua Lourimar Vieira.

Texto do manifesto, “A árdua luta da Cultura”

“Em São Paulo há muitos anos, Zé Celso vem brigando com Silvio Santos que quer no lugar do Teatro Oficina construir um shopping. Aqui em Cubatão a muitos anos estamos lutando para permanecer no Largo do Sapo. Desde 2008 funcionam alguns pátios de containers no Largo do Sapo. Vocês são testemunhas do quanto esses caminhões prejudicam aquele local que é tombado pelo patrimônio histórico. Já fizemos diversas matérias para Tv e Jornal. Graças a isso e aos abaixo assinado, já conseguimos meia vitória. Aqueles caminhões bi-trem que viravam e entravam naquela rua sem saída ao lado do Teatro do Kaos, não entram mais alí. Eles segue reto e lá no final próximo ao cemitério é que viram a direita. Vocês alunos e equipe do teatro, são testemunha que aquela virada a direita logo depois do teatro era o motivo pelo qual sempre abria uma cratera na rua. 
A prefeita Marcia Rosa manifestou interesse em comprar todas aquelas casas da praça onde fica nossa sede (as casas da praça são da empresa Itororó). A ideia é transformar o Largo do Sapo no complexo cultural com performances, comidas típicas e feira de artesanato aos domingos. É um sonho antigo ver aquele local preservado e respirando cultura. 
Já conseguimos uma meia vitória. Agora nossa luta é que os caminhões não passem mais na Praça (Largo do Sapo). Como vocês podem ver ao lado da praça tem um terreno bem grande por onde entravam os carros para o posta de gás (o posto GNV fechou) e é hora de lutarmos para desviar o tráfego de caminhões para passar pelo terreno ao lado da praça (que era um compromisso inicial dos donos de empresas do local).
No dia 10/2/2015 as 14h o Teatro do Kaos irá fazer uma Performance na Praça em comemoração aos 482 anos da Fundação do Povoado de Cubatão. Nessa ocasião a prefeita estará no local e vamos entregar pra ela o abaixo assinado e reivindicar os fatos supra citados. A prefeita esteve na apresentação da encenação “Caminhos da Independência” e manifestou interesse em comprar as casinhas e transformar o local em Largo da Cultura.
Nesta terça feira estarei vestido de Martim Afonso de Souza e ele “Martim Afonso” irá doar a Rui Pinto as terras de Cubatão. Essa performance comporta muita gente. Conto com vocês. Quanto mais gente melhor. A união faz a força. Vamos lá equipe (professores, alunos). Conto com vocês para mobilizarem os alunos. É importante a presença de todos. Se nos mostrarmos unidos, venceremos. 
A performance será na terça feira 10/2 as 14h. Imagino todos os professores e alunos com figurinos de época, andando pela praça para receberem os convidados.”