Greve na Educação cubatense

Durante a cerimônia, foi realizada a entrega de uma placa de homenagem ao Grupo Cesari.

O ano letivo na rede municipal de ensino de Cubatão está previsto para começar na próxima quinta-feira (8), mesmo dia da assembleia geral dos professores, que vai decidir pelas respostas devidas pelo prefeito Ademário Oliveira e seu secretário Pedro Sá (Educação). Mas as aulas estavam programadas para começar nesta terça-feira (6) e só não aconteceu porque foram registrados muitos erros na atribuição das aulas (uma mesma sala foi atribuída duas vezes, por exemplo), fruto do “modelo Cidade Educadora”, instituído pelo secretário municipal de Educação, que tem dito que o ano passado foi “um ano perdido”, apesar de não ter registrado os mesmos erros atuais.

A greve está programada para depois do Carnaval e por tempo indeterminado, se o diálogo não for restabelecido. E duas informações de bastidores revelaram que as famílias das mais de 15 mil crianças e adolescentes da rede municipal de ensino podem ser mesmo prejudicadas, porque a greve parece inevitável: a administração municipal cogita, com o apoio da Câmara de Vereadores, criar um modelo de “contratação temporária”, com professores indicados politicamente, para substituir os grevistas; e o discurso do prefeito Ademário, na entrega e apresentação das reformas da UME Jayme João Olcese, ressaltando que “Cubatão não será a escória da Baixada Santista, porque tem história e tradição (…)” e que “as portas das ruas serão a serventia” dos que discordarem das ideias do seu governo para a Educação cubatense.

Local do discurso – O discurso de “bota fora aos discordantes”, do prefeito Ademário, nesta terça-feira (6), diante da diretoria e colaboradores do Grupo Cesari, autoridades do governo municipal, pais, alunos e funcionários da escola, foi aplaudido pela equipe da sua confiança, mas incomodou aos educadores presentes. Vídeos e comentários se espalharam pelas redes sociais, fomentando o impasse. O momento era de festa e de destacar o exemplo da primeira empresa – Cesari – a atender a Prefeitura, antes mesmo dela lançar o projeto “Adote uma Escola”. A UME Jayme Olcese reúne 230 estudantes e foi interditada pela Prefeitura Municipal de Cubatão, em janeiro de 2017, devido às más condições das salas de aula e das áreas comuns.

“Por acreditar que a educação é um fator de transformação social e por se preocupar com a formação dos jovens, a Cesari, ao ver a necessidade dos munícipes da cidade e a pedido do Governo Municipal, realizou a reforma integral da instituição de ensino por mais de 150 dias. Com isso, houve revitalização da fachada externa, salas de aula, pátio, jardim e quadra poliesportiva. Além disso, foram feitas readequações de sinalização e segurança, obtendo assim o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB)”, divulgou a empresa cubatense nas redes sociais.

Primeira assembleia do ano – Na última quinta-feira (1), reunidos no portão de entrada da UME Bernardo José Maria de Lorena, na Vila Nova, os professores da rede municipal aproveitaram as presenças do secretário de Educação, Pedro Sá (PTB), e do vereador Toninho Vieira (PSDB), para cobrar compromissos que o secretário e o prefeito haviam assumido em dezembro, da revogação de decretos de organização do funcionamento das suas jornadas.

Essa situação traz muita insegurança para os pais das crianças, que diante do impasse entre a Prefeitura e os professores, não conseguem planejar a vida de seus filhos no início de 2018 nas escolas locais. O final do semestre passado já havia sido conturbado por conta da elaboração de novos decretos sem que as suas bases fossem amplamente discutidas com os principais atingidos, neste caso os professores.

Os decretos reduzem atribuições de aulas, afetam a remuneração salarial mensal e não permitem a incorporação para efeito de aposentadorias. Esses mesmos decretos anulam iniciativas firmadas pelo governo da prefeita Marcia Rosa (PT), em 2010, que segundo a equipe do prefeito Ademário, na Procuradoria Geral e nas secretarias de Gestão e Educação, contrariam a legislação municipal e favorecem interpretações que privilegiou muitos servidores da Educação em suas respectivas aposentadorias.

Estado de greve – Desde quinta-feira a Educação cubatense está em estado de greve. A exigência, conforme apurado das falas dos professores e de representantes do Sindicato e de grupos de apoio da categoria, é pelo recuo do governo Ademário em suas medidas e pelo reconhecimento da ampliação como jornada de trabalho. Com isso, “o desconto para a Caixa de Previdência deve ser sobre a jornada do professor, garantindo que o cálculo das aposentadorias sejam feitos de acordo com a lei, considerando os últimos 180 meses, com o aproveitamento de 80% das melhores contribuições e descartando 20%”.

Os professores alegam que as mudanças na base previdenciária e da assistência médica que estão sendo impostas pelo governo Ademário Oliveira “são flagrantemente ilegais e ferem as leis 22 e 3039, que definiram anteriormente com maior clareza a jornada de trabalho e a base de cálculo para aposentadoria. Enquanto o governo do Estado, do mesmo partido do prefeito reconhece a ampliação de jornada, Ademário e Pedro Sá nos tira, sem base legal”.

UME Jayme Olcese volta a funcionar em fevereiro

Grupo Cesari investiu mais de R$ 700 mil e requalificou o prédio da UME Jayme João Olcese.

Após receber uma ampla reforma no último semestre, a UME Jayme João Olcese (Jardim Anchieta/Costa e Silva) foi apresentada aos representantes da Prefeitura, inclusive ao prefeito Ademário Oliveira (PSDB) e ao vice-prefeito Pedro de Sá (PTB), que é também o Secretário de Educação, além dos dirigentes do Grupo Cesari, que patrocinou a sua recuperação, na tarde da última sexta-feira (12). Pelo Cesari, esteve o seu diretor-executivo Heber Spina Borlenghi.

A escola estava interditada desde 17 de janeiro do ano passado, devido ao estado das instalações e à falta de salubridade, colocando em risco a saúde e a integridade dos seus alunos, funcionários, professores e a direção da unidade. Ademário ficou bastante bem impressionado com o que viu e disse que “em nome da Prefeitura, agradece a acolhida e a ousadia de empreender do grupo, fazendo um trabalho de excelência na melhoria da nossa rede de ensino”. Borlenghi respondeu de imediato: “Nós nos colocamos à disposição para colaborar na valorização de nossas crianças e dos jovens de Cubatão”.

O grupo empresarial investiu mais de R$ 700 mil em uma reformar que durou mais de 160 dias. Com as obras, que proporcionaram a revitalização da fachada externa, salas de aula, corredores e áreas comunitárias, como pátio, jardim e quadra poliesportiva, pode-se dizer que o prédio parece outro, tamanho o estado de destruição em que ela se encontrava antes. Também foram realizadas as instalações de portas, ventiladores e outros materiais, além de readequações de sinalização e segurança, alcançando o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), sendo a primeira UME a possuir esse certificado, que tem sido exigido pelo Ministério Público local.

Adote uma Escola – A Prefeitura de Cubatão conseguiu a aprovação de lei municipal na Câmara de Vereadores, criando o Programa Adote uma Escola, que permitirá que outras empresas da região e do município, a exemplo da Cesari (UME Jayme João Olcese) e Unipar Carbocloro (UME Rui Barbosa), possam apoiar o município nas reformas necessárias de sua rede de ensino. Houve uma certa polêmica nas redes sociais, por algumas pessoas que disparam críticas sem fundamento, sobre “o retorno que a iniciativa privada terá”. Esclareça-se que o retorno é a pontuação para as empresas que são bastante qualificadas por sua responsabilidade social, educacional e cultural, como em todo país desenvolvido nesse mundo afora.

Escola estava insalubre, no início do ano passado.

 

Pais vinham reclamando às autoridades municipais, sem êxito no governo Marcia Rosa (PT).