Vale Cubatão agora pertence à Yara Brasil

O diretor industrial Leonardo Silva e o presidente da Yara Brasil, Lair Hanzen.

A empresa norueguesa Yara Internacional concluiu, nesta terça-feira (15), a aquisição dos ativos da Vale Cubatão Fertilizantes. Essa aquisição faz parte do plano de crescimento de longo prazo da empresa no país, que passa a somar 25% do mercado nacional e ofertará um portfólio mais completo e adequado às demandas dos agricultores brasileiros e clientes industriais. A transação foi de 255 milhões de dólares e estima investir 80 milhões de dólares nos próximos anos no Polo Industrial de Cubatão. A empresa chegou ao Brasil no ano de 1977; em Cubatão com a aquisição da Adubos Trevo, em 2000. Em 2013 adquiriu a Bunge Fertilizantes, e agora a unidade da Vale.

O vice-presidente de Produção da Yara Brasil, Leonardo Silva, que assumirá o comando em Cubatão, disse em conferência de imprensa que a unidade cubatense somará cerca de 1 mil trabalhadores diretos e outros 1 mil terceirizados, podendo surgir novas oportunidades de emprego, ainda sem uma data definida, mas que haverá o aproveitamento de mão de obra local, em sintonia com o pacto existente entre as indústrias, o poder público e os representantes sindicais. Leonardo anunciou também que conta com o apoio de Valdir José Caobianco, diretor da Vale, que permanecerá na equipe durante o processo de integração das operações adquiridas.

Esse movimento econômico é importante e mexe com o Polo de Cubatão, que observa a estreia da Yara na produção de nitrogenados no País, ou seja, de matérias-primas à base de nitrogênio utilizadas para a indústria de fertilizantes e em soluções para segmentos industriais, como mineração, indústria química básica, tratamento de água e construção civil. A Vale, por sua vez, não esconde que a venda da unidade de fertilizantes em Cubatão faz parte do plano da empresa sair de negócios considerados não estratégicos e que esse é mais um passo na direção da redução da alavancagem da Vale, pois os recursos recebidos irão reduzir o endividamento da companhia.

Segundo Lair Hanzen, vice-presidente da Yara International e presidente da Yara Brasil, a aquisição vai ao encontro dos planos da empresa para o País, que vêm em um crescimento constante. “A Yara possui uma estratégia de longo prazo e seguirá apostando no mercado brasileiro. Estamos comprometidos com o desenvolvimento sustentável do agronegócio e em ampliar o nosso leque de soluções para os setores industriais”, afirma Hanzen.

A Yara e a joint venture Galvani produzem atualmente cerca de 2 milhões de toneladas de fertilizantes e, após assumirem os ativos da Vale, as empresas produzirão 3 milhões de toneladas anualmente, oferecendo produtos de maior qualidade e fomentando a economia nacional. Além disso, na divisão de soluções industriais, que contempla produtos para segmentos como alimentos, papel e celulose, mineração, soluções ambientais, entre outras, a Yara duplicará a capacidade de produção e comercialização com a incorporação das unidades adquiridas, passando de 500 mil para 1 milhão de toneladas.

Soluções industriais e ambientais – Na Vale Cubatão Fertilizantes a nova proprietária Yara utilizará todos as políticas e processos aplicados em suas unidades no mundo. “Nesse período inicial, iremos considerar as boas práticas nas operações adquiridas para integrá-las aos nossos processos de Segurança e Meio Ambiente, para obter ainda mais segurança e eficiência operacional no Complexo Industrial em Cubatão. Ética e Conformidade é outra premissa básica para atuarmos e as operações em Cubatão seguirão os mesmos padrões globais para oferecer mais confiabilidade e sustentabilidade aos produtores, clientes e colaboradores”, destaca Hanzen.

O Tiplam e a história da formiga e do elefante.

Canal de Piaçaguera é via de acesso do Tiplam, terminal portuário recém ampliado pela VLI. Foto: Marcos Peron

As discussões que vêm sendo travadas em referência ao Tiplam – Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita – ilustram com perfeição como muitas vezes o estrabismo deforma pontos de vista de pessoas bem intencionadas e inteligentes.

É aquela história do fiscal que se concentra tanto em barrar uma formiga que não percebe a passagem de um elefante numa porteira vedada aos bichos.

Se você acompanha as questões portuárias da Baixada Santista, têm preocupações com o meio ambiente e ainda não conhece o Tiplam, procure fazer uma visita. Você vai ficar feliz: o investimento da VLI Logística tem tudo o que você sonhou em matéria de  embarque de graneis no Porto de Santos.

Para começar, a chegada dos produtos se dá exclusivamente por composições ferroviárias. Isso afasta, de cara, a poluição dos escapamentos de milhares de caminhões e carretas.

Aí você pode pensar: “Deve ser um inferno de trilhos e manobras de trens”. Engano. O Tiplam tem outro ponto dos seus sonhos no projeto: a pera ferroviária. O trem entra no terminal, descarrega e segue caminho sem necessidade de nenhuma manobra. O movimento de saída é no mesmo sentido do de entrada, na continuação da malha de trilhos.

“Ah, mas tem ainda a questão da descarga de grãos, deve lançar toneladas de material particulado no ar”, você pode pensar. Novo engano. As esteiras transportadores são confinadas numa tubulação. Não escapa por elas nenhum micrograma de material particulado.

Perfeito, então? Perfeito. Mas…

Aí entra o estrabismo. Aí entra a formiga. Tem a questão da cava.

O que é a cava?

A cava é um receptáculo submarino para depósito do material dragado para aprofundamento do canal marítimo que dá acesso ao Tiplam para os navios.

É gigantesca. E o material depositado lá está contaminado por décadas de poluição do fundo do mar pelas indústrias de Cubatão. O Tiplam fica ao lado do terminal portuário da Usiminas, antiga Cosipa.

A solução representada pela cava fez toda a tramitação exigida pela legislação ambiental brasileira. Passou por todos os organismos de fiscalização. Demorou. Foi complicado.

Mas foi, depois de muito tempo, de muitas marchas e contramarchas, aprovada. Mesmo assim tem gente que olha de nariz torcido para ela. Gente que preferia outras soluções. Que talvez fossem poluir outras regiões. Ou que, pelo custo, inviabilizassem o empreendimento.

O material dragado – e contaminado – dentro da cava, isolado, tem potencial de danos ao ambiente muito menor do que no fundo do canal, de onde está sendo retirado, onde qualquer movimento pode fazer com que ele se desloque na água.

Mas aí tem a questão do estrabismo.

E a do fiscal que barra a formiga e não percebe a passagem do elefante.

Na Ponta da Praia, em Santos, há décadas, a operação de embarque de grãos é porca. O bairro residencial e bairros vizinhos, como Aparecida, em muitas safras se tornam o local mais poluído do Estado de São Paulo por material particulado. O cheiro da fermentação da soja que cai dos caminhões e se molha quando chove é insuportável. A população de ratos e pombos se multiplica. E continua lá…

Tudo de ruim. Tudo que está eliminado pela tecnologia implantada no Tiplam.

Ah, mas tem a cava…

(*) Paulo Schiff é jornalista e apresentador de rádio e TV na região da Baixada Santista. E-mail: paulo.schiff@hotmail.com