União quer Vila Parisi de volta?

A Vila Parisi era um bairro residencial operário encravado no meio do pólo industrial, na época de maior descontrole da poluição. O local era conhecido como o Vale da Morte (foto: acervo de imprensa da Prefeitura de Cubatão).

Sessenta e um anos depois que a Prefeitura de Cubatão aprovou o loteamento residencial “Vila Parisi”, com 823 lotes numa área de 474.270 m², 31 anos depois do início da mudança dos cerca de 20 mil moradores para bairros urbanizados do município (Vila Natal e Jardim Nova República) e 19 anos depois que a Câmara de Vereadores autorizou a concessão dessa área ocupada hoje pelo Ecopátio, uma decisão judicial no Tribunal Regional Federal da 3.ª Região sentencia que todo esse território pertence à Secretaria do Patrimônio da União – SPU e terá de ser devolvido ao órgão do governo federal.

O estranho dessa história é que a SPU nunca se manifestou sobre os títulos de propriedade apresentados pelos antigos proprietários da Vila Parisi, desde 1952, quando o espanhol Silvestre Peres Estevez recebeu a área como herança e a vendeu quatro anos mais tarde aos irmãos Helládio e Celso Parisi, que iniciaram o loteamento, de olho no projeto de que uma siderúrgica seria construída nas suas proximidades e imaginavam criar uma nova Volta Redonda, em Piaçaguera.

Assim nasceu a Companhia Siderúrgica Paulista – Cosipa e um bairro totalmente desordenado. A promessa dos irmãos era construir um bairro completo, mas realizaram apenas a abertura das ruas, sem qualquer infra-estrutura. Sem água, esgoto, energia elétrica e urbanização, com a chegada dos primeiros moradores, os problemas começaram a aparecer e a Prefeitura começou a investir no bairro em 1969. Esses registros constam do Portal Novo Milênio, que é uma das principais fontes da história de Cubatão e da região metropolitana da Baixada Santista.

Em março – A sentença da Justiça Federal surpreendeu a todos em Cubatão, porque foi proferida em março deste ano em um processo de apelação que estava arquivado e sem manifestações do próprio Ministério Público Federal – MPF, a quem o advogado André Guerato questionou em 1999 e depois “desistiu da denúncia por razão de foro íntimo”. Constam na atuação desse advogado na região outras denúncias e desistências de seu interesse na continuidade de processos contra o Poder Público, principalmente em Cubatão.

Mas na verificação dos autos, que considera que a área de Vila Parisi foi desapropriada e ocupada ilegalmente pela Prefeitura de Cubatão, com ações claras de interesse público reconhecidas por outros representantes do Judiciário em suas manifestações, o MPF deu andamento à questão ao concluir que esse terreno é de marinha, pertencente à União e não podia ser desapropriada e muito menos repassada a terceiros.

Prejuízos – O prefeito Ademário Oliveira (PSDB) entende que os efeitos dessa decisão vão prejudicar o atendimento ao movimento de caminhões que estacionam no Ecopátio e a empreendimentos privados no entorno da área. Com esse fato determinou que o procurador-geral do município, Rogério Molina, elabore recurso ao Superior Tribunal de Justiça – STJ, considerando dois aspectos: a área ocupada pelo Ecopátio decorre de uma concessão municipal autorizada pela Câmara, como sucessora da primeira concessionária, a Brastubo; e a Prefeitura investiu, por anos, recursos públicos na desapropriação dos antigos lotes da vila.

Como a SPU nunca se manifestou sobre os títulos de propriedade apresentados por esses ocupantes, os valores pagos foram considerados corretos. E caso a sentença seja confirmada em última instância, a tendência é de que a Prefeitura pare de pagar o restante das parcelas aos desapropriados. Também serão estudadas alternativas legais para recuperar as prestações já pagas desde 1985, quando houve as primeiras desapropriações.

Hoje funciona na antiga Vila Parisi, o Ecopátio, uma concessão à iniciativa privada aprovada pela Câmara de Vereadores.05

Há motivos para comemorar os 69 anos de Cubatão

Prefeito revela que mantém otimismo diante das adversidades.

Este é o segundo aniversário da cidade de Cubatão, na gestão do prefeito Ademário Oliveira (PSDB). A crise econômica no país, que afetou a produção do Polo Industrial e reduziu a arrecadação municipal, causando sérios problemas à manutenção dos serviços públicos locais, apresenta sinais de recuperação no cenário com as reformas do governo Michel Temer (PMDB). Esses sinais geram as melhores expectativas da administração e das empresas, como a Usiminas, que espera boas novidades para 2018.

Entrevistado pelo jornal “Povo de Cubatão”, para esta edição especial em homenagem aos 69 anos de Emancipação Político-Administrativa da cidade, Ademário Oliveira destacou as principais ações de seu governo e não escondeu o seu otimismo, enfatizando que acredita que “há motivos para comemorar nesse aniversário, porque não perdemos a nossa capacidade de ser uma fábrica de oportunidades”:

Povo de Cubatão: O Senhor encontrou Cubatão numa situação pior do que as informações que dispunha durante a sua campanha eleitoral em 2016. Por onde acha que o município, que sempre foi considerado rico mas com os piores índices sociais da região, vai dar a volta por cima?

Ademário Oliveira: “Recentemente participei de um evento em São Paulo, patrocinado pela Associação Brasileira das Indústrias Quínicas (ABIQUIM), frente a frente com pessoas que representam um dos maiores setores da economia brasileira. Foi uma possibilidade de apresentar nossa cidade (evento: Cubatão, Fábrica de Oportunidades), como nunca antes foi feito. Posso assegurar que foi uma oportunidade única para atrair empresas, gerar empregos e recuperar nossa cidade.

Povo de Cubatão: E o que o Senhor conseguiu de concreto?

Ademário Oliveira: “Temos ido a luta por Cubatão, sempre. Saímos da apresentação com ao menos duas grandes empresas interessadas em se instalarem aqui. Pessoalmente, vivenciei um momento histórico. O menino de família simples, que saiu do interior da Bahia, de Riachão do Jacuípe, estar palestrando para pessoas que detém e influenciam nas decisões de mais de 10% da nossa economia. É um orgulho. Foi a primeira vez que o prefeito de Cubatão foi ouvido com atenção no maior Estado da Nação. Estar em São Paulo, que se fosse um país seria o terceiro mais importante do mundo, não é qualquer coisa.

Povo de Cubatão: Mas há muita desconfiança dos investidores, porque o governo federal parece ter virado as costas para o tipo de atividade industrial no Polo de Cubatão. Está revertendo isso?

Ademário Oliveira: “Já começamos a reverter a estagnação. Iniciamos e já colocamos fim à desconfiança do investidor e ao desânimo do empresariado com a cidade. As provas, de que Cubatão mudou de paradigma estão em várias frentes. No final do ano passado, estivemos na Itália, atendendo a um convite de empresários e do senado italiano, para falar a investidores. Já recebemos mais de R$ 11 milhões em investimentos diretos do capital privado. É dessa forma que vamos resgatar o DNA da prosperidade, que sempre foi uma marca insolúvel de Cubatão.

Povo de Cubatão: Para os novos empregos que podem surgir dessa articulação, quais são as medidas do seu governo?

Ademário Oliveira: “Em meio aos efeitos da crise que ainda nos assola, a solução para competir no mercado de trabalho é a qualificação dos trabalhadores. Por isso a Prefeitura de Cubatão, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, trouxe o ‘Via Rápida Empregos’. Tem capacitação para diversas atividades de serviços na cidade, com geração de renda praticamente instantânea, como manicure, maquiadora, assistente de cabeleireiro, garçom, camareira, bar tender e costureira. Por 30 dias, mais de 200 pessoas serão contempladas com mais conhecimento e qualificação profissional.

Povo de Cubatão: E para as necessidades das indústrias?

Ademário Oliveira: “Cubatão já possui um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, uma unidade da ETEC do Estado, além da Univesp – Universidade Virtual do Estado formando aqui engenheiros, por exemplo. Mas dependendo dos perfis que as novas plantas industriais ou atualização das atuais requisitarem, buscaremos parcerias com outras esferas de governo, sem perder de vista que o PAT Cubatão dispõe de um cadastro de trabalhadores locais aptos para muitas dessas funções, com os requisitos técnicos de formação já contemplados. Olhamos o futuro com as perspectivas de uma rede de ações. Estamos muito ligados disso e em sintonia com o CIESP, que tem privilegiado o Pacto para uso de mão de obra local.

Povo de Cubatão: O Senhor comentou que a Usiminas terá novidades em breve.

Ademário Oliveira: “Posso adiantar que Prefeitura e Usiminas estão atuando lado a lado. Depois da parceria de sucesso na reabertura do Hospital Modelo, a boa relação com a Usiminas, que é uma tradicional empresa do nosso Polo Industrial, reserva boas novidades já para 2018.

Povo de Cubatão: Quando o Senhor assumiu a Prefeitura havia muitas dívidas e uma desconfiança total entre os fornecedores. Sem falar que os próprios servidores estavam sem receber benefícios, salários, 13.º, férias. Depois ainda houve o fechamento da CURSAN, como está essa situação hoje?

Ademário Oliveira: “Aos poucos estamos com a situação controlada. Precisamos disso, priorizamos isso, porque do contrário não será possível realizar investimentos com recursos próprios. Toda arrecadação, do ISS, IPTU, parte do ICMS, Royalties do Petróleo, tem nos proporcionado liquidar as pendências deixadas pelos governos passados. Também temos nos debruçado em negociações para reverter nossa inadimplência com os cofres do Estado e da União, para que estejamos liberados a obter recursos de emendas parlamentares e participar regularmente de programas governamentais.

Povo de Cubatão: A CURSAN?

Ademário Oliveira: “Tivemos a grande felicidade de realizar o pagamento da rescisão de 260 trabalhadores da CURSAN. Claro que não é uma felicidade completa, porque tivemos que tomar a difícil decisão de fechar a empresa. Contudo, desde o princípio, nosso empenho e compromisso foi trabalhar e buscar os meios legais de pagar os direitos daqueles que durante anos dedicaram seu suor na conservação da cidade. Essa foi então uma ótima notícia. Com a transferência de R$ 2 milhões, a empresa fez o depósito na conta dos ex-funcionários. É assim, avançando com responsabilidade que estamos colocando a casa em ordem. Vamos seguir em frente, para reconstruir Cubatão. Como sempre digo, fé em Deus, fé na Vida, Coragem pra mudar.

Povo de Cubatão: A Educação cuja rede foi encontrada em situação de calamidade não pode ainda ser assistida com os recursos próprios, exceto os investimentos com pessoal. Temos visto que antes de criar o “Programa Adote uma Escola”, o Senhor buscou parcerias com as empresas para recuperar escolas. Os resultados apareceram?

Ademário Oliveira: “Com muita satisfação tivemos respostas positivas. O empresariado tem se manifestado muito sensível com os nossos projetos para a recuperação de Cubatão. Desse modo já entregamos a tradicional UME Jaime João Olcese (Jardim Costa e Silva), graças ao patrocínio da Cesari, e a não menos tradicional UME Rui Barbosa (Jardim Caraguatá), com a adoção da Unipar Carbocloro. Foi duro, muito duro, tomar a decisão de fechar a Jaime Olcese por total falta de condições para funcionar. A educação é, sem dúvida uma das maiores prioridades do nosso governo. Ao retornar as aulas nesta escola, não só demonstramos compromisso com a população mas também credibilidade. Credibilidade porque a escola foi reformada totalmente com recursos da iniciativa privada e reaberta com AVCB. É assim, subindo um degrau de cada vez que vamos reconstruindo nossa cidade.

Povo de Cubatão: A cidade tem recebido a “Operação Tapa Buraco” com muita alegria, porque as avenidas e ruas da cidade estavam esburacadas. Mas observamos as suas movimentações para grandes obras de infraestrutura. O Senhor tem conseguido abrir esses caminhos no Governo Federal, por exemplo?

Ademário Oliveira: “Cubatão terá prioridade em obras do Ministério dos Transportes. Recentemente voltamos de Brasília com excelentes notícias. Apresentamos com sucesso, três projetos para construção de viadutos nas passagens de nível das linhas férreas na Vila dos Pescadores, na Avenida Henry Bordem e na Joaquim Miguel Couto. Faço questão de ressaltar o apoio dos deputados Marcio Alvino e André Prado, que foi determinante para que o Ministro Maurício Quintela priorizasse os pleitos de Cubatão. Os processos estão bastante adiantados na Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT), responsável pela concessão das ferrovias administradas pela ALL e MRS Logística. As empresas já têm os projetos executivos das obras que são antigas reivindicações da população.

Povo de Cubatão: Mas o Senhor firmou um compromisso com a área artística no sentido de concluir as obras e instalações do Teatro Anilinas, porque o Teatro Municipal foi entregue para a Saúde. Conseguiu algo nessas movimentações por Brasília?

Ademário Oliveira: “Também estivemos no Ministério da Cultura, onde estamos pleiteando recursos para a conclusão das obras do Centro Multimídia e do Teatro do Parque Anilinas. Durante o encontro com o Secretário Executivo do ministério, Alfredo Bertini, discutimos várias possibilidade, inclusive através da captação de recursos através da Lei Rouanet.

Povo de Cubatão: O Senhor gostaria de destacar mais alguma ação que justifique a sua afirmativa de que há motivos para comemorar os 69 anos de Emancipação Político-Administrativa de Cubatão?

Ademário Oliveira: “Sim. O CEU das Artes é realidade. A obra estava parada há cinco anos e contava com verbas do Governo Federal. Finalizamos em nosso governo. Em tempos de crise, nossa habilidade institucional continua promovendo mudanças significativas na vida das pessoas. O Jardim Nova República ganhou um espaço cultural, educacional e esportivo de primeiro mundo. Também gostaria de destacar que tiramos do papel as obras de construção de 216 unidades habitacionais em uma parte do terreno do CSU Parque do Trabalhador. Graças a uma parceria entre a Prefeitura, a CDHU e a iniciativa privada. Essa parceria vai proporcionais moradia digna para mais de 1.200 pessoas. Nesse cenário, há que se destacar que a boa notícia se complementa com a geração de mais de 250 novos empregos para trabalhadores da área da construção civil.

Povo de Cubatão: Qual a sua mensagem para o povo cubatense?

Ademário Oliveira: “Trabalho e coragem para mudar. Foram essas as principais premissas de 2017, nosso primeiro ano de governo. Em 2018, o trabalho, a boa gestão, o respeito pelas pessoas, a seriedade com os recursos públicos e a coragem de continuar mudando para melhor, vão continuar. Sabemos que nem tudo está em ordem. As coisas ainda não estão do jeito que queremos. Não estão do jeito que planejamos. Os serviços públicos e a nossa cidade ainda não estão do jeito que o povo merece. Mas, nós vamos avançar muito. Este ano de 2018 será muito melhor para todos. Nós, com toda humidade temos certeza de que será muito melhor. E será melhor, porque a “Casa” está mais arrumada. Nossas finanças estão melhores. Os salários, décimo terceiro e benefícios dos servidores estão pagos. Fornecedores estão recebendo. Os serviços públicos não estão sob ameaça de paralisação. Assim, reafirmando o nosso compromisso de continuar governando para todos. Com probidade, profundo respeito aos cidadão e aos princípios republicanos, vamos subir um degrau de cada vez. Parabéns, Cubatão!

POVOEDIÇÃO476

O Tiplam e a história da formiga e do elefante.

Canal de Piaçaguera é via de acesso do Tiplam, terminal portuário recém ampliado pela VLI. Foto: Marcos Peron

As discussões que vêm sendo travadas em referência ao Tiplam – Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita – ilustram com perfeição como muitas vezes o estrabismo deforma pontos de vista de pessoas bem intencionadas e inteligentes.

É aquela história do fiscal que se concentra tanto em barrar uma formiga que não percebe a passagem de um elefante numa porteira vedada aos bichos.

Se você acompanha as questões portuárias da Baixada Santista, têm preocupações com o meio ambiente e ainda não conhece o Tiplam, procure fazer uma visita. Você vai ficar feliz: o investimento da VLI Logística tem tudo o que você sonhou em matéria de  embarque de graneis no Porto de Santos.

Para começar, a chegada dos produtos se dá exclusivamente por composições ferroviárias. Isso afasta, de cara, a poluição dos escapamentos de milhares de caminhões e carretas.

Aí você pode pensar: “Deve ser um inferno de trilhos e manobras de trens”. Engano. O Tiplam tem outro ponto dos seus sonhos no projeto: a pera ferroviária. O trem entra no terminal, descarrega e segue caminho sem necessidade de nenhuma manobra. O movimento de saída é no mesmo sentido do de entrada, na continuação da malha de trilhos.

“Ah, mas tem ainda a questão da descarga de grãos, deve lançar toneladas de material particulado no ar”, você pode pensar. Novo engano. As esteiras transportadores são confinadas numa tubulação. Não escapa por elas nenhum micrograma de material particulado.

Perfeito, então? Perfeito. Mas…

Aí entra o estrabismo. Aí entra a formiga. Tem a questão da cava.

O que é a cava?

A cava é um receptáculo submarino para depósito do material dragado para aprofundamento do canal marítimo que dá acesso ao Tiplam para os navios.

É gigantesca. E o material depositado lá está contaminado por décadas de poluição do fundo do mar pelas indústrias de Cubatão. O Tiplam fica ao lado do terminal portuário da Usiminas, antiga Cosipa.

A solução representada pela cava fez toda a tramitação exigida pela legislação ambiental brasileira. Passou por todos os organismos de fiscalização. Demorou. Foi complicado.

Mas foi, depois de muito tempo, de muitas marchas e contramarchas, aprovada. Mesmo assim tem gente que olha de nariz torcido para ela. Gente que preferia outras soluções. Que talvez fossem poluir outras regiões. Ou que, pelo custo, inviabilizassem o empreendimento.

O material dragado – e contaminado – dentro da cava, isolado, tem potencial de danos ao ambiente muito menor do que no fundo do canal, de onde está sendo retirado, onde qualquer movimento pode fazer com que ele se desloque na água.

Mas aí tem a questão do estrabismo.

E a do fiscal que barra a formiga e não percebe a passagem do elefante.

Na Ponta da Praia, em Santos, há décadas, a operação de embarque de grãos é porca. O bairro residencial e bairros vizinhos, como Aparecida, em muitas safras se tornam o local mais poluído do Estado de São Paulo por material particulado. O cheiro da fermentação da soja que cai dos caminhões e se molha quando chove é insuportável. A população de ratos e pombos se multiplica. E continua lá…

Tudo de ruim. Tudo que está eliminado pela tecnologia implantada no Tiplam.

Ah, mas tem a cava…

(*) Paulo Schiff é jornalista e apresentador de rádio e TV na região da Baixada Santista. E-mail: paulo.schiff@hotmail.com

Portos da Usiminas e VLI trazem otimismo para economia de Cubatão

Canal de Piaçaguera é via de acesso do Tiplam, terminal portuário recém ampliado pela VLI. Foto: Marcos Peron

Brevemente os portos da Usiminas (Cubatão) e da VLI (área continental de Santos, na divisa com Cubatão), que expande o seu Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Veiga de Mesquita – Tiplam, considerado a maior obra portuária privada em curso no Brasil, que compõem o sistema portuário de Santos, o maior da América Latina, vão proporcionar o início da recuperação econômica no município e na Baixada Santista. Essa possibilidade foi garantida graças ao trabalho de dragagem do Canal de Piaçaguera, localizado no Largo do Casqueiro, região próxima à Ilha das Cobras, em Cubatão, sem agressão ao meio ambiente, o que é um fato exemplar segundo o presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – Cetesb, Carlos Roberto dos Santos, em visita recente à região.

Foi necessário realizar a dragagem para ampliar a profundidade do canal e permitir a navegação de navios maiores e com maior capacidade de transporte de cargas para exportação e importação, em uma área afastada da zona urbana das cidades e sem necessidade de acesso às já congestionadas margens direita e esquerda do Porto (Santos e Guarujá). E essa dragagem, inspecionada por autoridades ambientais da Baixada e técnicos especializados da Cetesb, firmou um novo padrão de respeito ao meio ambiente e à sustentabilidade.

O diferencial é a construção de uma cava, na área do Canal de Piaçaguera, pelas empresas Usiminas e VLI, para comportar o material dragado sem apresentar trocas (de detritos contaminados por metais pesados) com a biota (ecossistema). “Agora, com ela em operação, o local, inclusive, pode se recompor, porque o material mais poluente não fará trocas com o ambiente, a fauna, a flora”, ressalta o presidente da Cetesb.

O início – Desde que a obra foi iniciada, em 2016, em diversas oportunidades a segurança da operação foi questionada. Mas gradativamente, com os esclarecimentos técnicos bem fundamentados os órgãos ambientais responsáveis pelas autorizações não hesitaram em garantir que a sua continuidade é “medida de extrema segurança”, comentou o químico José Eduardo Bevilacqua, assistente-executivo da diretoria da Cetesb.

Tiplam – O Tiplam, operado pela VLI, passa por uma grande ampliação desde 2013 e irá sextuplicar a sua capacidade anual de movimentação. Antes da ampliação, o Tiplam importava produtos como fertilizantes, enxofre e amônia. A expansão capacitou a estrutura para o aumento do volume de importação desses produtos e também permitiu o início das exportações de grãos e açúcar.

Durante o pico das obras de expansão do Tiplam foram gerados pelas empresas prestadoras de serviço para VLI, cerca de 9 mil empregos diretos. Com a conclusão, que entra na fase final das obras, 500 novos empregos, entre empregados próprios e terceirizados, serão criados.

POVOEDIÇÃO467

Ademário se diz “prefeito da periferia”

Desatando nós da Prefeitura, tendo a Saúde como foco principal. Ademário foi assim em 2017.

O pagamento da dívida social da rica cidade de Cubatão, que durante muitos anos atraiu pessoas da região da Baixada Santista e de todos os lugares do país para os melhores empregos no seu Polo Industrial, é a prioridade do prefeito Ademário da Silva Oliveira (PSDB), que completa neste domingo (31) os seus primeiros 12 meses de gestão.

2017 foi um ano difícil para a nova administração municipal, que em 21 de julho fechou o balanço da situação encontrada, apresentando material e documentos que comprovaram uma dívida de cerca de R$ 970 milhões. Quase um orçamento municipal, estimado em R$ 1,3 bilhão.

A reportagem do jornal Povo de Cubatão pesquisou e selecionou as principais manifestações do prefeito, em todas as mídias ao longo do ano. O destaque ficou para o compromisso de devolver o atendimento à saúde para a população, mas que entre as dificuldades financeiras e burocráticas só conseguiu realizar essa promessa – reabrindo o Hospital Modelo – no dia 1.º de dezembro:

Porque fechou o hospital no início do seu governo?

Ademário Oliveira: “O Hospital estava fechado desde junho de 2016. De maneira irresponsável o governo anterior (Marcia Rosa, PT) mantinha a folha de pagamento sem a devida prestação de serviços. Por isso o caminho foi rescindir o contrato com a antiga administradora (AHBB) para garantir os direitos dos trabalhadores.”

O Senhor era acusado de “mentir sobre dados da folha de pagamento da Prefeitura”. Como encontrou a folha?

Ademário: “A folha de pagamentos de 2016 ultrapassou o limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Somando os R$ 32 milhões que pagamentos do 13.º de 2016 e de férias não pagas, o percentual passa de 58%. Crime passível, inclusive, de prisão.”

Quais as medidas a serem tomadas quanto aos desmandos e irregularidades encontradas?

Ademário: “Com auxílio da assessoria jurídica e procuradoria, tudo será levado à Justiça. O objetivo é punir aqueles que cometeram irregularidades, havendo também a possibilidade de retornarem recursos aos cofres do município.”

E a urbanização de áreas invadidas, legalização fundiária e novas moradias?

Ademário: “Há projetos bem encaminhados, tais como a transferência da Vila Noel, da construção da Avenida Perimetral na Vila Esperança e a transferência da área da Vila dos Pescadores para construção de casas através do Programa Minha Casa Minha Vida.”

Como fica a sua popularidade?

Ademário: “Sabíamos das mazelas que foram cometidas e que a situação do município era falimentar. Tivemos que tomar medidas duras, não por liberalidade, mas por obrigação de fazer a coisa certa. Fizemos tudo para colocar a casa em ordem, mesmo quando nossas ações desagradaram muitos. Porém, sempre disse a todos que jamais vamos trilhar caminhos impróprios em troca de popularidade. Nossa popularidade pode oscilar. Contudo, nossa credibilidade é algo inalienável.”

Dinheiro do Estado e da União pode chegar?

Ademário: “Quando assumi encontrei a Prefeitura inscrita no Cadin Estadual (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais) e no Cadin Federal, devido a dívidas não honradas pela administração anterior. Essa situação complicou ainda mais as já combalidas finanças do município, que ficou impedido de receber qualquer recurso ou celebrar convênios com os dois governos. Conseguimos liminar, em agosto, retirando a Prefeitura do Cadin Estadual. Falta sair do federal.”

Por onde recuperar a economia do Município?

Ademário: “A Usiminas revelou interesse em disponibilizar áreas, hoje inativas, onde funcionava o setor de laminados (que parou de produzir) para empresas interessadas em novos empreendimentos na região. Áreas dotadas de toda infraestrutura necessária a indústrias. Cubatão é a cidade que, em razão de seu Polo Industrial, mais produziu empregos para toda a Baixada Santista – hoje é a que mais sofre com os problemas de desemprego (das 40 mil vagas de emprego perdidas na região, nos últimos 10 anos, 12 mil eram da cidade). Por isso é importante que todas as cidades se unam com vistas à retomada do crescimento e da empregabilidade da Baixada. Não só Cubatão, mas todos os demais municípios serão beneficiados.”

E o foco na saúde, fez esquecer dos outros setores que também precisam de atenção?

Ademário: “Nossa prioridade é salvar vidas. Por isso reagimos à suspensão “sine die” da concorrência pública para a abertura do hospital, determinada pelo Tribunal de Contas do Estado – TCE. A decisão de acelerar a reabertura do hospital foi tomada diante da necessidade urgente de oferecer assistência médica e hospitalar ao povo cubatense. Nós sabemos que nem o Ministério Público Estadual, nem o Tribunal de Contas, têm conhecimento da realidade fática da cidade. Nós temos.”

O Orçamento de 2018 foi elaborado pelo governo atual. Como fica agora?

Ademário: “É um orçamento dentro da expectativa de receita, adequado à realidade financeira da cidade. E incluímos todos os 18 pleitos escolhidos como prioritários pela população nas audiências do Orçamento Participativo.”

Como o Senhor lida com a oposição das eleições passadas?

Ademário: “Por exemplo, fiquei muito satisfeito com o reforço para o atendimento de urgência (renovação da frota do SAMU). Credito a conquista à articulação política do vereador Fábio Alves Moreira, o Roxinho (PMDB) com o deputado estadual de seu partido, Jorge Caruso, responsável pela inclusão do município no programa. Mais uma demonstração de que as disputas políticas ficaram para trás e que Legislativo e Executivo, independente de ideologias e cores partidárias, estão unidos com o objetivo de conquistar melhores condições de vida para o nosso povo e vencer as dificuldades impostas pela crise econômica – que atinge não só Cubatão, mas o País, e que já é considerada a pior dos últimos 30 anos.”

Faculdade de Medicina.

Ademário: “Estamos na reta final da conquista deste sonho. A implantação da faculdade não é uma tarefa fácil, tendo envolvido intenso trabalho nos últimos 8 meses. A criação de uma faculdade não se limita à construção de um prédio. As gestões envolvem questões burocráticas, legais e técnicas e têm se encaminhado com muita seriedade, responsabilidade e transparência.”

Obras inacabadas.

Ademário: “Ao assumir o governo, em janeiro deste ano, a Cidade tinha 10 obras inacabadas. As retomadas estamos entregando totalmente prontas e equipadas à população. Aos poucos, Cubatão está saindo do processo de sucateamento em que foi deixada e caminhando para um futuro promissor.”

Reabertura do Hospital Modelo.

Ademário: “Foi muito importante a composição da parceria entre a Prefeitura e a Usiminas. Mesmo nos sujeitando à impopularidade, abrimos mão de outras iniciativas, mesmo as voltadas para a conservação urbana e nos concentramos em um projeto destinado a salvar vidas. Agradeço pela paciência da população neste período, pela colaboração dos servidores municipais e pelo apoio da Câmara Municipal que agiu com a rapidez que a situação exigia. Destaco também o ex-prefeito Nei Eduardo Serra, meu colega de partido, o PSDB, em cuja gestão o hospital foi idealizado e construído. Se este hospital existe é porque alguém o idealizou 20 anos atrás.”

Manutenção da cidade.

Ademário: “Quando assumimos a Prefeitura, em janeiro, os cofres públicos estavam vazios, o Hospital fechado e toda a população reclamando, com razão, da total falta de condições de andar pelas ruas da cidade. Estamos trabalhando para devolver aos cubatenses o direito constitucional de ir e vir.”

Relação com os vereadores.

Ademário: “A harmonia existente, hoje, entre a Câmara e a Prefeitura, é demonstração de seriedade e trabalho dos dois Poderes em busca de uma cidade melhor e mais justa.”

O quê esperar de 2018?

Ademário: “Sou o prefeito da periferia. 2017 foi um ano difícil, mas realizamos coisas importantes, como a reabertura do Hospital Municipal. Vamos dar um passo de cada vez, porém passos firmes. Nossa promessa para 2018 diz respeito ao nosso futuro. Nenhuma criança fora da escola. Teremos educação com qualidade para todos”.

Hospital Modelo de Cubatão já atendeu 240 pacientes e fez 19 partos

Reabertura do Hospital foi aguardada 11 meses.

No dia seguinte da cerimônia de inauguração, o Hospital Municipal Modelo de Cubatão deu início aos atendimentos na nova estrutura. O balanço de atendimento até a última quarta-feira (13), 240 pacientes haviam passado pelo Hospital. Nos primeiros 10 dias, o Centro Obstétrico realizou 19 partos (sendo 11 normais e oito cesáreos), além de 123 atendimentos de urgência obstétrica e realização de 20 testes rápidos de HIV e VDRL, exames importantes que garantem maior segurança para a paciente.

Com capacidade para realizar cerca de 150 partos por mês, a maternidade funciona 24 horas para gestantes, puérperas e assistência às gestantes com complicações na gravidez. Para isso, uma equipe capacitada, incluindo médicos obstetras, pediatras e anestesistas, enfermeiros obstetras e técnicos em enfermagem atuam na realização de partos normais e cesáreos.

A estrutura possui sala de triagem, observação, consultório médico, sala de parto, sala de atendimento às urgências obstétricas e neonatais, sala cirúrgica para procedimentos obstétricos e Alojamento Conjunto, para internações após o parto. Dispõe também de sala para curetagens, duas salas de pré-parto e um quarto de PPP (Pré-parto, Parto e Pós-Parto), um dos grandes diferenciais por incentivar o parto normal e possibilitar o maior contato possível entre a mãe e o bebê em um mesmo ambiente, garantindo acolhimento e bem-estar materno.

Para o superintendente do Hospital de Cubatão, Dr. Abner Moreira de Araújo Junior, todos os esforços estão focados na valorização do cuidado ao paciente e na humanização. “Ao iniciar o atendimento da Maternidade e dos demais serviços disponíveis, buscamos oferecer um padrão de excelência na assistência com as mesmas diretrizes das demais unidades hospitalares administradas pela FSFX. Trazemos nossas práticas, amparadas em evidências científicas, promovendo e criando condições, reforçando o nosso compromisso com a qualidade e a segurança”.

Indicadores positivos – A unidade tem apresentado resultados relevantes para a comunidade. O hospital conta com 80 médicos e recebe pacientes do Pronto Socorro Central, Pronto Socorro Infantil e da Unidade de Pronto Atendimento – Jardim Casqueiro. Já foram realizadas 10 cirurgias, entre procedimentos ortopédicos, neurológico, vascular, urológico e cirurgias gerais. Dos 75 leitos disponíveis para SUS, já ocorreram 29 internações materno infantil e 26 adulto. A média de permanência na unidade está em 3,14 dias, já sinalizando importante tendência de rotatividade de leitos. Na unidade de Terapia Intensiva, já foram admitidos 10 pacientes nos leitos adulto, dois pediátricos e dois neonatais.

Para o início das atividades do Hospital, a FSFX o implantou o novo Sistema de Gestão Hospitalar, com prontuário eletrônico, e também o sistema de transmissão de imagens.

O Hospital de Cubatão atualmente tem um efetivo de 350 colaboradores, sendo 197 administrativos, 153 assistenciais. Equipe que já passou por treinamentos assistenciais, comportamentais e administrativos, o que impacta diretamente nos indicadores de qualidade da Instituição.

Alguns números (Primeiros 10 dias)

Partos

19

Urgência obstétrica

123

testes rápidos de HIV e VDRL

20

Cirurgias

10

Internação Adulto

26

Internação Materno Infantil

29

Pacientes UTI

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Ademário e Nei Serra – Na solenidade de reabertura, acontecida no dia 1.º de dezembro, o prefeito Ademário Oliveira (PSDB) dez um histórico da composição da parceria entre a Prefeitura e a Usiminas, lembrando que os entendimentos começaram já no ínicio do atual governo. “Mesmo nos sujeitando à impopularidade, abrimos mão de outras iniciativa, mesmo as voltadas para a conservação urbana e nos concentramos em um projeto destinado a salvar vidas”, disse.

No início da primeira fase do projeto de reabertura do Hospital Municipal Modelo de Cubatão foram investidos R$ 6 milhões, dos R$ 9 milhões previstos no total. A segunda fase, prevista para ser concluída em 2018, envolverá a reforma do antigo prédio do teatro, que será integrado ao complexo hospitalar e abrigará serviços de alta complexidade, como hemodiálise, quimioterapia e medicina hiperbárica.

Ademário Oliveira não esconde a sua satisfação, nesses primeiros dias de atividades do Hospital e sempre faz questão de agradecer pela paciência da população desde o início de sua gestão em janeiro, bem como a colaboração dos servidores municipais e o apoio da Câmara Municipal que, segundo afirma, agiu com a rapidez que a situação exigia.

Ainda repercute a atitude do prefeito Ademário que chamou ao palco do evento de reabertura, o ex-prefeito e seu colega tucano, Nei Eduardo Serra, em cuja gestão o hospital foi idealizado e construído. “Se este hospital existe é porque alguém o idealizou 20 anos atrás”, afirmou.

Emocionado e bastante aplaudido, Nei disse que a construção do hospital foi uma luta e uma vitória do povo de Cubatão. E elogiou a iniciativa do atual governo em reabri-lo.