Cine Roxy continua sem definição

Ficar sem cinema em Cubatão é uma perda grande, em uma cidade sem opções de lazer e cultura. Foto: PMC

Como esperado, foi muito grande e negativa a repercussão de que a cidade de Cubatão pode perder as suas duas e únicas salas de cinema, do Roxy, no Parque Anilinas. A denúncia foi publicada na edição passada do jornal “Povo de Cubatão” e compartilhada nas redes sociais. Mas a Prefeitura não quis esclarecer aos munícipes por meio deste jornal, optando apenas pelo jornal “A Tribuna”, na última quarta-feira (24), que transcrevemos a seguir:

“Questionada, a Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura (Secom) assinalou que ‘o complexo de cinema instalado no Centro Multimídia do Parque Anilinas será mantido’. Mas confirmou que o contrato com os proprietários do Cine Roxy venceu em julho de 2017, ‘quando a questão era afeta à Secretaria Municipal de Cultura, na gestão do ex-titular Raul Christiano'”.

A Secom também informou erroneamente que a gestão do Parque Anilinas passou para a Secretaria de Turismo apenas após a demissão de Raul da Secult. Ouvido pela reportagem do “Povo”, Raul Christiano disse que o processo estava de posse da Secretaria de Turismo desde o início do governo de Ademário Oliveira.

Raul fez questão de frisar que o secretário de Turismo, que iniciou no cargo, Mauro Haddad, e depois o seu sucessor e atual ocupante da pasta, Antonio Ribeiro, alegavam que “era de competência deles, uma vez que o Parque Anilinas estava sob a responsabilidade daquela secretaria. Com isso, até o início de julho, não pude conhecer o conteúdo do contrato”.

“Os dois secretários de Turismo – esclarece o ex-secretário de Educação e de Cultura – sempre justificaram que vinham conversando e recebendo orientação do próprio prefeito, inclusive realizando reuniões com o proprietário do Cine Roxy, sem a presença da Secult”. O prefeito Ademário – continua Raul Christiano, “questionado por mim em reuniões do secretariado respondia que estava tratando com os secretários de Turismo, porque considerava injusto que o Roxy pagasse apenas 11,5% das suas receitas com a venda de ingressos e da loja de doces, refrigerantes e pipoca, mas não pagava o condomínio, água e luz da fração usada do Parque Anilinas”.

Antônio Campos – O jornal “Povo de Cubatão” apurou que o empresário Antônio Campos sempre se dispôs a pagar, desde 2012, mas a Prefeitura de Cubatão jamais realizou os cálculos de quanto importava essas taxas da sua ocupação do Parque municipal. Procurado pela reportagem, o empresário que é o dono do Grupo Roxy de Cinemas, com salas em diversas cidades da região, não respondeu às mensagens enviadas.

Sem contrato desde julho e com a recomendação da Procuradoria Geral do Município de iniciar uma nova licitação para que o Roxy ou outra empresa do ramo possam explorar as atividades no Centro Multimídia com cinema, surgem dois problemas com perdas para a comunidade: o Roxy não pode repassar a parte da arrecadação para a Prefeitura e, sem qualquer ato formal, é possível que com uma representação de qualquer pessoa no Ministério Público, o cinema de Cubatão deve ser fechado a qualquer momento.

Solução provisória – O ex-secretário Raul Christiano, com base em parecer da sua assessoria técnica na época em que estava no cargo, sugere a elaboração de uma portaria de uso precário e oneroso, que poderia garantir o funcionamento: “Apresentei esse caminho para uma solução provisória no próprio processo administrativo, mas faltou a decisão do prefeito Ademário, que é quem tem a última palavra na Prefeitura”, concluiu.

Cubatão pode ficar sem Cine Roxy

A Prefeitura cedeu as instalações no Parque Anilinas para o Grupo Roxy de Cinemas e recebe 11,5% da bilheteria para os cofres municipais. Foto: Aderbau Gama

Por causa de confusões administrativas do governo Ademário Oliveira (PSDB), contrato para manutenção do cine Roxy no Parque Anilinas não foi prorrogado em julho passado e cinema pode fechar. E se isso for confirmado será uma perda imensa para a cidade, que tem raras opções de lazer e cultura nos últimos anos. A reportagem procurou a Prefeitura para ter um posicionamento oficial, mas até o fechamento desta edição do jornal “Povo de Cubatão”, não houve qualquer manifestação.

O Cine Roxy é tradicional da região da Baixada Santista e tem salas de cinema no bairro do Gonzaga em Santos, na Avenida Ana Costa e no Shopping Pátio Iporanga, além do Shopping Brisamar de São Vicente. Quando a Prefeitura de Cubatão reformou completamente o Parque Anilinas, a contratação do cinema para funcionar no prédio do Centro Multimídia, em 2012, garantiu ao espaço uma movimentação diferenciada e uma atenção maior à segurança dos munícipes que frequentam o local.

Cubatão não tem muita sorte com os equipamentos culturais. O Bloco Cultural, que fica localizado entre os prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores, no Paço Municipal Piaçaguera, no Centro, está com problemas estruturais no telhado e sistema de ar condicionado, deteriorando o espaço a olhos vistos, sem que o poder público atue para a sua reforma completa e requalificação. Hoje as bandas Sinfônica e Marcial estão acolhidas no Bloco e os seus instrumentos correm risco por conta das goteiras nos períodos de chuvas na cidade.

O teatro municipal, que ficou 30 anos esperando para ser concluído, na Avenida Henry Borden, esquina com a Avenida Nove de Abril, funcionou algumas vezes, nos governos de Nei Serra, Clermont Castor e desde o início de Marcia Rosa foi paralisado e abandonado. O prefeito Ademário Oliveira (PSDB) conseguiu aprovar na Câmara Municipal a transferência do prédio para a área da Saúde e segundo a Fundação São Francisco Xavier – FSFX até o final deste ano novos serviços de medicina estarão disponíveis para a população em sua estrutura.

Cinema – Resta para a Cultura da cidade o Cine Roxy 3, inaugurado em 2012 com duas salas de cinema e capacidade de 200 lugares cada uma, dentro dos melhores padrões com revestimento térmico, acústico e todos os equipamentos da moderna tecnologia para o setor. São salas que obedecem o mesmo projeto das que o grupo possui em Santos e na região, com poltronas no estilo estádio e som estéreo.

O último cinema em Cubatão, antes do Roxy 3, Cine Millennium durou até o ano 2000. Os moradores do município, quando queriam ir ao cinema precisavam ir a Santos ou a Praia Grande, mas com o contrato feito com a empresa do Roxy, nos últimos 5 anos, a Prefeitura ainda conseguiu para os seus cofres, cerca de R$ 700 mil, sendo 10% para a conta geral e 1,5% para o Fundo de Cultura, que inexistente e desregulamentado, não registra nenhum aporte.

Contrato – A reportagem do jornal “Povo de Cubatão” teve acesso a informações de que o contrato da Prefeitura com a empresa Roxy deveria ter sido renovado até o final do mês de julho de 2017, mas não foi por duas divergências internas e administrativas do governo Ademário: a primeira em decorrência de quem seria o responsável para resolver essa pendência – Secretaria de Turismo (que é responsável pelo Parque Anilinas) ou Secretaria de Cultura? A segunda, por conta de pareceres judiciais da Procuradoria Municipal, que se posicionou contrariamente à prorrogação do contrato, mesmo em “caráter excepcional” por conta dos prejuízos ao lazer e à cultura cubatenses, defendendo a realização de uma nova licitação pública.

Diante do impasse, o Roxy 3 permaneceu na cidade, sem contrato e de maneira irregular. Com isso, os percentuais arrecadados com os ingressos e parte também da bombonière não podem ser repassados a Prefeitura, aguardando a licitação que o governo atual não divulgou até agora. Se essa situação continuar sem alteração, nos próximos dias Cubatão será obrigada a assistir fechadas as portas das suas duas salas de cinema.

Artistas de Cubatão querem Teatro Municipal e ETEC das Artes

Teatro abandonado

Teatro abandonado

O Teatro Municipal de Cubatão é uma novela para os artistas e a população da cidade, desde que começou a ser construído em 1987. Esse edifício majestoso, construído na Avenida 9 de Abril, esquina com a Avenida Henry Borden, em um ponto estratégico no centro cubatense, volta a ser reclamado pela comunidade, que quer o Teatro definitivamente pronto e com uma unidade da Escola Técnica Estadual – ETEC, voltada para a formação de profissionais ligado às artes e à produção cultural no município e na região metropolitana da Baixada Santista.

Na última semana foi criado um grupo no WhatsApps, denominado ‘Etec Artes Cubatão’, e o seu administrador Edson Carlos Bril, o Bombril, juntamente com o diretor teatral e coordenador do Teatro do Kaos, Lourimar Vieira, procurou o diretor das Oficinas Culturais do Estado, Raul Christiano, em busca de apoio junto ao governador Geraldo Alckmin e o secretário de Estado da Cultura, Marcelo Mattos Araujo, para que estes contribuam para o sucesso dessa ideia.

A Prefeitura de Cubatão – seguindo a conduta dos prefeitos que se sucederam desde 1987, ano em que a obra foi iniciada – não tem movido uma palha para entregar esse projeto pronto e com as configurações de teatro – objetivo inicial da obra – para a população. A prefeita Marcia Rosa (PT) chegou a cogitar a transformação do prédio em uma Policlínica, formando um ‘Quadrilátero da Saúde’, com recursos de R$ 5 milhões obtidos especificamente para isso. Mas essa ideia também não saiu do papel.

Lourimar Vieira, um dos principais artistas da cidade, se adiantou e implantou o seu próprio teatro – Teatro do Kaos – no Largo do Sapo, no ano de 2001, em um imóvel que se encontrava em ruínas e foi restaurado graças ao empenho dos integrantes do grupo criado em 1997, por ele, mais Ricardo Oliveira e Marcelo Ariel, em Cubatão. Nesse espaço, além da montagem de espetáculos teatrais, premiados no Brasil e no Exterior, são realizadas mostras, festivais e oficinas de formação. Mesmo assim, Lourimar e Bom Bril jamais desistiram do objetivo de que Cubatão tenha o seu teatro municipal.

Foram muitas as matérias e manifestações da comunidade nas mídias regionais – TV, rádio, jornais e redes sociais – contra a transformação do prédio para teatro numa policlínica. Em uma de suas entrevistas, Lourimar Vieira destacou que a administração do PT na cidade argumentou que há um espaço para teatro no Novo Parque Anilinas. No entanto, segundo a sua experiência em espaços do gênero, no Anilinas há um grande auditório, com pé direito baixo e sem condições da montagem de cenários.

Enquanto isso, as portas do prédio identificado como o Teatro Municipal de Cubatão continua vulnerável às invasões por moradores de rua e usuários de drogas, que em março de 2014 foram responsáveis pela provocação de um incêndio interno, que destruiu parte das cadeiras que já não resistem mais ao tempo do seu próprio abandono.