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Categorias se unem e realizam grande protesto contra governo petista em Cubatão

Frente da Prefeitura ocupada por várias categorias de trabalhadores públicos. Foto: Luiz Fernando Valentim.

Frente da Prefeitura ocupada por várias categorias de trabalhadores públicos. Foto: Luiz Fernando Valentim.

A tarde da última quarta-feira, dia 15 de junho, em Cubatão, ficou marcada como “A Tarde da Revolta”, devido ao não cumprimento das promessas de pagamentos de salários e benefícios por parte da Administração Municipal junto a grupos de servidores, terceirizados e até contratos de repasses financeiros (como o caso da Ecopag, que administra o dinheiro destinado aos servidores, por via do Cartão Servidor).

Dentre esses podem ser citados os professores municipais, vigilantes da empresa de segurança Marvin e até comerciantes locais, que se mobilizaram e realizaram uma grande passeata, iniciada na frente da Prefeitura de Cubatão.

Centenas de pessoas munidas com camisetas de protesto, faixas, cartazes, apitos e até narizes de palhaços pediam pela renúncia da prefeita Marcia Rosa (PT). Logo em seguida, o grupo, munido de carro de som e microfones seguiu em direção à Avenida Nove de Abril, com destino a Avenida Henry Borden, realizando discursos inflamados com palavras de ordem de revolta e cânticos contra a gestão municipal. Nesse local os manifestantes se uniram aos trabalhadores do Hospital Modelo, que também estão em estado de greve, realizando talvez, a maior manifestação contra um governo local em toda a história de Cubatão.

Queda de receita seria o motivo? – Já há tempos, a Prefeitura fala em queda de arrecadação como a principal causa da atual crise administrativa e financeira pela qual vive a Cidade. O fechamento de algumas empresas no Pólo Industrial, como a Usiminas, aliado à diminuição nos postos de trabalho e a situação de instabilidade vivida pelo País, nos últimos anos, seria o principal motivo do impacto nas finanças de Cubatão.

Entenda como se iniciaram as respectivas greves e manifestos em Cubatão:

Professores – Um dos últimos grupos a aderir ao estado de greve em Cubatão, foi o dos professores da rede municipal de ensino, que decidiram pela paralisação da categoria, na tarde da última segunda-feira (13), após reunião da categoria. A classe reivindica direitos como a recomposição inflacionária da categoria entre janeiro e maio deste ano, a incorporação do cartão servidor no salário, plano de saúde e previdência com repasse para o setor patronal e trabalhadores.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Cubatão, Paulo Sebastião Rodriguez, o estado de greve da categoria é justo. “Na tarde desta quarta estaremos reunidos em nosso Sindicato, para sabermos quais medidas iremos tomar. Queremos ouvir a Administração para saber o que ela tem a nos oferecer. Caso não tenhamos resposta, a Greve pode continuar; sim”, diz Sebastião.

Hospital – Já os trabalhadores do Hospital Municipal, gerido pela organização social Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB) estão com vencimentos atrasados. Salários, férias, valores retroativos referentes ao dissídio da categoria e o não pagamento de benefícios, como vale alimentação, causaram a revolta de profissionais do setor hospitalar, copeiros e faxineiros. Além disso, os trabalhadores reclamam que a qualidade da comida servida no Hospital caiu muito, e escutam boatos de que o Hospital pode realmente fechar as portas.

Marvin continua em greve – Os trabalhadores da empresa de segurança Marvin, também continuam esperando o acerto de salários e benefícios por parte da Prefeitura, para retornarem a atuar nos próprios públicos municipais. Informações de que uma reunião realizada na tarde de quarta-feira (15), iria definir se o pagamento desses atrasados seria quitado até à 18 horas da mesma data. No entanto, até o fechamento desta edição, a equipe de reportagem do jornal “Povo de Cubatão”, não obteve resposta.

Comerciantes esperam definições sobre o Cartão Servidor – Uma comissão formada por comerciantes locais adentrou o Paço Piaçaguera, com o objetivo de se reunirem com membros da Administração Municipal, para saber como estaria o repasse do dinheiro do Cartão Servidor (benefício da categoria pública municipal destinado a ser consumido no comércio local). A empresa Ecopag, que administra o benefício diz não ter recebido o valor total por parte da Prefeitura e, só se compromete a liberar o cartão do funcionalismo junto ao comércio, quando toda a dívida for sanada junto à Empresa.

Ademário relata preocupações com saúde ao Governador Geraldo Alckmin

Hospital vive a maior crise de sua história. Foto: Raimundo Rosa.

Hospital vive a maior crise de sua história. Foto: Raimundo Rosa.

O governador Geraldo Alckmin esteve na última quarta-feira (15), em Praia Grande, onde recebeu do vereador Ademário da Silva Oliveira (PSDB) um relato sobre a situação difícil enfrentada pelo Hospital Modelo de Cubatão. O assunto saúde pública regional dominou boa parte da visita do governador a vários dos municípios da Baixada Santista, mas destacou que está em fase de efetivação um novo convênio de auxílio financeiro do Programa Santas Casas Sustentáveis para o Hospital Municipal de Cubatão.

Em seguida, o vereador Ademário obteve da diretora regional de Saúde, Paula Covas Borges Calipo, o detalhamento de como será realizado o apoio do Governo do Estado a Cubatão. Paula Covas explicou que “o auxílio será em 7 parcelas mensais no valor de R$ 247.468,08, totalizando R$ 1.732.276,56 para custeio – material de consumo e prestação de serviços médicos e, investimento, cujo objetivo é aprimorar a gestão hospitalar visando a melhoria na qualidade do atendimento”.

A dirigente regional confirmou também que Estado e Prefeitura devem se reunir no próximo dia 20 (segunda-feira), para tratar especificamente do Hospital Modelo, contando inclusive com a presença e participação do Secretário de Estado da Saúde, David Uip, atendendo a pedido da promotora de Justiça Larissa Motta Nunes.

“Vamos conversar sobre a situação. Temos um momento emergencial do hospital, mas precisamos definir um plano para que essas dificuldades não se repitam. A responsabilidade pelo hospital municipal é da Prefeitura e o Estado já fornece recursos específicos para ajudar na manutenção, por entender que o equipamento é importante no contexto da Saúde regional”, destacou Paula.

O Programa Santas Casas Sustentáveis representa um complemento à tabela do SUS, e é de 40% acima do teto pago pelo Sistema Único de Saúde.

AHBB – A Associação Hospitalar Beneficente do Brasil que gerencia o hospital com recursos repassados pelo município, entre sexta e segunda-feira desta semana, recebeu R$ 2 milhões, que foram utilizados para pagar fornecedores e alguns médicos da maternidade: “Não sobrou dinheiro suficiente para uma folha de pagamento completo e não houve pagamento nenhum aos empregados”, disse Paulo Pimentel, presidente do Sintrasaúde, que lidera greve de quase 90% do quadro estimado em cerca de 450 trabalhadores.

Crise financeira prejudica atendimento no Hospital

Cubatão não consegue manter o seu hospital.

Cubatão não consegue manter o seu hospital.

A Prefeitura de Cubatão distribuiu nota à imprensa no início desta semana, informando que o Hospital Municipal dará prioridade a pacientes da Cidade em situações que não forem de emergência. Justifica que essa atitude é por causa da crise financeira no Município, e que a Prefeitura não está conseguindo honrar o pagamento do custeio do complexo de saúde – R$ 4,4 milhões mensais, dos quais 80% são repassados pela Prefeitura à Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB), gestora do hospital.

Para o secretário municipal de Saúde, Benjamin Rodriguez Lopez, a Prefeitura está sendo obrigada a reprogramar e atrasar pagamentos. E não está nada otimista com o quê está por vir: “A perspectiva nos próximos meses é bastante preocupante. Então, a alternativa, neste momento, é garantir os atendimentos hospitalar e ambulatorial para o morador de Cubatão”, disse o médico por meio da nota escrita pela assessoria de comunicação.

Benjamin Lopez acompanhou a prefeita Marcia Rosa (PT) em viagem a Brasília, em busca de mais verba federal para o hospital. Segundo ele, do dinheiro necessário para mantê-lo, 83,4% provêm do Município, 16,5% da União e 0,1% do Governo Estadual – sem arredondamento, o Estado contribui com 0,13%, de acordo com a Secretaria de Saúde cubatense.

A prefeita petista enfatiza que “Cubatão precisa de uma decisão política de socorro ao Hospital Municipal, que atende, além da população local, cidades vizinhas e vítimas de acidentes nas rodovias e nas indústrias. A Central de Vagas (de internação) não vem transferindo nossos pacientes e encaminha pessoas de outras cidades”.

Fácil cobrar o Estado

Benjamin Lopez acrescenta à fala da prefeita Marcia Rosa, que “o fato de (o hospital) estar localizado à beira das rodovias faz com que a procura por nosso serviço seja muito grande. A população de Cubatão não pode continuar sendo prejudicada, pagando esse preço sozinha. Precisamos de apoio para dividir essa responsabilidade”.

Além da tentativa de obter mais dinheiro do Governo Federal, já se pediu verba estadual outras vezes, ainda segundo o secretário “Somos a única cidade da região onde o Estado não conta com sequer um equipamento de Saúde. Isso precisa mudar”, considera o médico Benjamin.