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Ademário se diz “prefeito da periferia”

Desatando nós da Prefeitura, tendo a Saúde como foco principal. Ademário foi assim em 2017.

O pagamento da dívida social da rica cidade de Cubatão, que durante muitos anos atraiu pessoas da região da Baixada Santista e de todos os lugares do país para os melhores empregos no seu Polo Industrial, é a prioridade do prefeito Ademário da Silva Oliveira (PSDB), que completa neste domingo (31) os seus primeiros 12 meses de gestão.

2017 foi um ano difícil para a nova administração municipal, que em 21 de julho fechou o balanço da situação encontrada, apresentando material e documentos que comprovaram uma dívida de cerca de R$ 970 milhões. Quase um orçamento municipal, estimado em R$ 1,3 bilhão.

A reportagem do jornal Povo de Cubatão pesquisou e selecionou as principais manifestações do prefeito, em todas as mídias ao longo do ano. O destaque ficou para o compromisso de devolver o atendimento à saúde para a população, mas que entre as dificuldades financeiras e burocráticas só conseguiu realizar essa promessa – reabrindo o Hospital Modelo – no dia 1.º de dezembro:

Porque fechou o hospital no início do seu governo?

Ademário Oliveira: “O Hospital estava fechado desde junho de 2016. De maneira irresponsável o governo anterior (Marcia Rosa, PT) mantinha a folha de pagamento sem a devida prestação de serviços. Por isso o caminho foi rescindir o contrato com a antiga administradora (AHBB) para garantir os direitos dos trabalhadores.”

O Senhor era acusado de “mentir sobre dados da folha de pagamento da Prefeitura”. Como encontrou a folha?

Ademário: “A folha de pagamentos de 2016 ultrapassou o limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Somando os R$ 32 milhões que pagamentos do 13.º de 2016 e de férias não pagas, o percentual passa de 58%. Crime passível, inclusive, de prisão.”

Quais as medidas a serem tomadas quanto aos desmandos e irregularidades encontradas?

Ademário: “Com auxílio da assessoria jurídica e procuradoria, tudo será levado à Justiça. O objetivo é punir aqueles que cometeram irregularidades, havendo também a possibilidade de retornarem recursos aos cofres do município.”

E a urbanização de áreas invadidas, legalização fundiária e novas moradias?

Ademário: “Há projetos bem encaminhados, tais como a transferência da Vila Noel, da construção da Avenida Perimetral na Vila Esperança e a transferência da área da Vila dos Pescadores para construção de casas através do Programa Minha Casa Minha Vida.”

Como fica a sua popularidade?

Ademário: “Sabíamos das mazelas que foram cometidas e que a situação do município era falimentar. Tivemos que tomar medidas duras, não por liberalidade, mas por obrigação de fazer a coisa certa. Fizemos tudo para colocar a casa em ordem, mesmo quando nossas ações desagradaram muitos. Porém, sempre disse a todos que jamais vamos trilhar caminhos impróprios em troca de popularidade. Nossa popularidade pode oscilar. Contudo, nossa credibilidade é algo inalienável.”

Dinheiro do Estado e da União pode chegar?

Ademário: “Quando assumi encontrei a Prefeitura inscrita no Cadin Estadual (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais) e no Cadin Federal, devido a dívidas não honradas pela administração anterior. Essa situação complicou ainda mais as já combalidas finanças do município, que ficou impedido de receber qualquer recurso ou celebrar convênios com os dois governos. Conseguimos liminar, em agosto, retirando a Prefeitura do Cadin Estadual. Falta sair do federal.”

Por onde recuperar a economia do Município?

Ademário: “A Usiminas revelou interesse em disponibilizar áreas, hoje inativas, onde funcionava o setor de laminados (que parou de produzir) para empresas interessadas em novos empreendimentos na região. Áreas dotadas de toda infraestrutura necessária a indústrias. Cubatão é a cidade que, em razão de seu Polo Industrial, mais produziu empregos para toda a Baixada Santista – hoje é a que mais sofre com os problemas de desemprego (das 40 mil vagas de emprego perdidas na região, nos últimos 10 anos, 12 mil eram da cidade). Por isso é importante que todas as cidades se unam com vistas à retomada do crescimento e da empregabilidade da Baixada. Não só Cubatão, mas todos os demais municípios serão beneficiados.”

E o foco na saúde, fez esquecer dos outros setores que também precisam de atenção?

Ademário: “Nossa prioridade é salvar vidas. Por isso reagimos à suspensão “sine die” da concorrência pública para a abertura do hospital, determinada pelo Tribunal de Contas do Estado – TCE. A decisão de acelerar a reabertura do hospital foi tomada diante da necessidade urgente de oferecer assistência médica e hospitalar ao povo cubatense. Nós sabemos que nem o Ministério Público Estadual, nem o Tribunal de Contas, têm conhecimento da realidade fática da cidade. Nós temos.”

O Orçamento de 2018 foi elaborado pelo governo atual. Como fica agora?

Ademário: “É um orçamento dentro da expectativa de receita, adequado à realidade financeira da cidade. E incluímos todos os 18 pleitos escolhidos como prioritários pela população nas audiências do Orçamento Participativo.”

Como o Senhor lida com a oposição das eleições passadas?

Ademário: “Por exemplo, fiquei muito satisfeito com o reforço para o atendimento de urgência (renovação da frota do SAMU). Credito a conquista à articulação política do vereador Fábio Alves Moreira, o Roxinho (PMDB) com o deputado estadual de seu partido, Jorge Caruso, responsável pela inclusão do município no programa. Mais uma demonstração de que as disputas políticas ficaram para trás e que Legislativo e Executivo, independente de ideologias e cores partidárias, estão unidos com o objetivo de conquistar melhores condições de vida para o nosso povo e vencer as dificuldades impostas pela crise econômica – que atinge não só Cubatão, mas o País, e que já é considerada a pior dos últimos 30 anos.”

Faculdade de Medicina.

Ademário: “Estamos na reta final da conquista deste sonho. A implantação da faculdade não é uma tarefa fácil, tendo envolvido intenso trabalho nos últimos 8 meses. A criação de uma faculdade não se limita à construção de um prédio. As gestões envolvem questões burocráticas, legais e técnicas e têm se encaminhado com muita seriedade, responsabilidade e transparência.”

Obras inacabadas.

Ademário: “Ao assumir o governo, em janeiro deste ano, a Cidade tinha 10 obras inacabadas. As retomadas estamos entregando totalmente prontas e equipadas à população. Aos poucos, Cubatão está saindo do processo de sucateamento em que foi deixada e caminhando para um futuro promissor.”

Reabertura do Hospital Modelo.

Ademário: “Foi muito importante a composição da parceria entre a Prefeitura e a Usiminas. Mesmo nos sujeitando à impopularidade, abrimos mão de outras iniciativas, mesmo as voltadas para a conservação urbana e nos concentramos em um projeto destinado a salvar vidas. Agradeço pela paciência da população neste período, pela colaboração dos servidores municipais e pelo apoio da Câmara Municipal que agiu com a rapidez que a situação exigia. Destaco também o ex-prefeito Nei Eduardo Serra, meu colega de partido, o PSDB, em cuja gestão o hospital foi idealizado e construído. Se este hospital existe é porque alguém o idealizou 20 anos atrás.”

Manutenção da cidade.

Ademário: “Quando assumimos a Prefeitura, em janeiro, os cofres públicos estavam vazios, o Hospital fechado e toda a população reclamando, com razão, da total falta de condições de andar pelas ruas da cidade. Estamos trabalhando para devolver aos cubatenses o direito constitucional de ir e vir.”

Relação com os vereadores.

Ademário: “A harmonia existente, hoje, entre a Câmara e a Prefeitura, é demonstração de seriedade e trabalho dos dois Poderes em busca de uma cidade melhor e mais justa.”

O quê esperar de 2018?

Ademário: “Sou o prefeito da periferia. 2017 foi um ano difícil, mas realizamos coisas importantes, como a reabertura do Hospital Municipal. Vamos dar um passo de cada vez, porém passos firmes. Nossa promessa para 2018 diz respeito ao nosso futuro. Nenhuma criança fora da escola. Teremos educação com qualidade para todos”.

Hospital Modelo de Cubatão já atendeu 240 pacientes e fez 19 partos

Reabertura do Hospital foi aguardada 11 meses.

No dia seguinte da cerimônia de inauguração, o Hospital Municipal Modelo de Cubatão deu início aos atendimentos na nova estrutura. O balanço de atendimento até a última quarta-feira (13), 240 pacientes haviam passado pelo Hospital. Nos primeiros 10 dias, o Centro Obstétrico realizou 19 partos (sendo 11 normais e oito cesáreos), além de 123 atendimentos de urgência obstétrica e realização de 20 testes rápidos de HIV e VDRL, exames importantes que garantem maior segurança para a paciente.

Com capacidade para realizar cerca de 150 partos por mês, a maternidade funciona 24 horas para gestantes, puérperas e assistência às gestantes com complicações na gravidez. Para isso, uma equipe capacitada, incluindo médicos obstetras, pediatras e anestesistas, enfermeiros obstetras e técnicos em enfermagem atuam na realização de partos normais e cesáreos.

A estrutura possui sala de triagem, observação, consultório médico, sala de parto, sala de atendimento às urgências obstétricas e neonatais, sala cirúrgica para procedimentos obstétricos e Alojamento Conjunto, para internações após o parto. Dispõe também de sala para curetagens, duas salas de pré-parto e um quarto de PPP (Pré-parto, Parto e Pós-Parto), um dos grandes diferenciais por incentivar o parto normal e possibilitar o maior contato possível entre a mãe e o bebê em um mesmo ambiente, garantindo acolhimento e bem-estar materno.

Para o superintendente do Hospital de Cubatão, Dr. Abner Moreira de Araújo Junior, todos os esforços estão focados na valorização do cuidado ao paciente e na humanização. “Ao iniciar o atendimento da Maternidade e dos demais serviços disponíveis, buscamos oferecer um padrão de excelência na assistência com as mesmas diretrizes das demais unidades hospitalares administradas pela FSFX. Trazemos nossas práticas, amparadas em evidências científicas, promovendo e criando condições, reforçando o nosso compromisso com a qualidade e a segurança”.

Indicadores positivos – A unidade tem apresentado resultados relevantes para a comunidade. O hospital conta com 80 médicos e recebe pacientes do Pronto Socorro Central, Pronto Socorro Infantil e da Unidade de Pronto Atendimento – Jardim Casqueiro. Já foram realizadas 10 cirurgias, entre procedimentos ortopédicos, neurológico, vascular, urológico e cirurgias gerais. Dos 75 leitos disponíveis para SUS, já ocorreram 29 internações materno infantil e 26 adulto. A média de permanência na unidade está em 3,14 dias, já sinalizando importante tendência de rotatividade de leitos. Na unidade de Terapia Intensiva, já foram admitidos 10 pacientes nos leitos adulto, dois pediátricos e dois neonatais.

Para o início das atividades do Hospital, a FSFX o implantou o novo Sistema de Gestão Hospitalar, com prontuário eletrônico, e também o sistema de transmissão de imagens.

O Hospital de Cubatão atualmente tem um efetivo de 350 colaboradores, sendo 197 administrativos, 153 assistenciais. Equipe que já passou por treinamentos assistenciais, comportamentais e administrativos, o que impacta diretamente nos indicadores de qualidade da Instituição.

Alguns números (Primeiros 10 dias)

Partos

19

Urgência obstétrica

123

testes rápidos de HIV e VDRL

20

Cirurgias

10

Internação Adulto

26

Internação Materno Infantil

29

Pacientes UTI

14

Ademário e Nei Serra – Na solenidade de reabertura, acontecida no dia 1.º de dezembro, o prefeito Ademário Oliveira (PSDB) dez um histórico da composição da parceria entre a Prefeitura e a Usiminas, lembrando que os entendimentos começaram já no ínicio do atual governo. “Mesmo nos sujeitando à impopularidade, abrimos mão de outras iniciativa, mesmo as voltadas para a conservação urbana e nos concentramos em um projeto destinado a salvar vidas”, disse.

No início da primeira fase do projeto de reabertura do Hospital Municipal Modelo de Cubatão foram investidos R$ 6 milhões, dos R$ 9 milhões previstos no total. A segunda fase, prevista para ser concluída em 2018, envolverá a reforma do antigo prédio do teatro, que será integrado ao complexo hospitalar e abrigará serviços de alta complexidade, como hemodiálise, quimioterapia e medicina hiperbárica.

Ademário Oliveira não esconde a sua satisfação, nesses primeiros dias de atividades do Hospital e sempre faz questão de agradecer pela paciência da população desde o início de sua gestão em janeiro, bem como a colaboração dos servidores municipais e o apoio da Câmara Municipal que, segundo afirma, agiu com a rapidez que a situação exigia.

Ainda repercute a atitude do prefeito Ademário que chamou ao palco do evento de reabertura, o ex-prefeito e seu colega tucano, Nei Eduardo Serra, em cuja gestão o hospital foi idealizado e construído. “Se este hospital existe é porque alguém o idealizou 20 anos atrás”, afirmou.

Emocionado e bastante aplaudido, Nei disse que a construção do hospital foi uma luta e uma vitória do povo de Cubatão. E elogiou a iniciativa do atual governo em reabri-lo.

Hospital voltará a atender com gestão da Usiminas

A previsão é de que o hospital funcione no início de dezembro deste ano.

O primeiro passo concreto para a reabertura do Hospital Municipal de Cubatão foi dado na última quarta-feira (11), com a assinatura do contrato de concessão da Prefeitura com a Fundação São Francisco Xavier – FSFX, que é o braço social da Usiminas nas áreas de saúde e educação. A entidade foi a vencedora da licitação para gerenciar o complexo hospitalar cubatense nos próximos cinco anos.

Ontem (quinta-feira), em pleno feriado nacional, o prefeito Ademário Oliveira e o vice-prefeito Pedro de Sá acompanharam diretores e técnicos da FSFX e da secretaria municipal da Saúde, para anunciar que o trabalho de adequação sanitária da unidade hospitalar fechada desde fevereiro e a adaptação do anexo do prédio (antigo Teatro Municipal) devem começar nesta sexta-feira (13).

A Fundação da Usiminas investirá R$ 9,3 milhões para transformar o Hospital num centro de excelência de atendimento à saúde, prometendo reabri-lo ao atendimento da população até o dia 4 de dezembro, com 75 leitos e previsão de mais 50 leitos de convênio, 25 especialidades e serviços de Traumatologia, Maternidade, Centro Cirúrgico e de Terapia Intensiva. Dessa maneira Cubatão terá novamente o seu hospital geral e maternidade, voltado para atendimentos de média complexidade.

Empregos diretos Quando estiver funcionando com todos os serviços, a unidade hospitalar vai gerar cerca de 560 empregos diretos, cuja seleção será feita prioritariamente pelo Posto de Atendimento ao Trabalhador – PAT, sem contar o corpo clínico. Nesta primeira fase de contratações, há chances para 39 funções diferentes. As vagas vão desde assistente administrativo, recepcionista, laboratorista, roupeiro até técnico de enfermagem, este com o maior número de oportunidades: serão 67 contratações. Para todas as vagas, porém, há exigência mínima de 6 meses de experiência. Os currículos – com números do PIS ou NIT – serão recebidos nestas 2.ª e 3.ª feiras (16 e 17), das 8h às 17h, no PAT de Cubatão, na Rua Doutor Fernando Costa, 1096 – Vila Couto. Mais informações pelos telefones (13) 3361 5504 e 3372 5900.

Novos serviços O Hospital Municipal Dr. Luiz de Camargo da Fonseca e Silva, em Cubatão, fará parte, nessa nova fase da administração da saúde local, de um complexo de atenção à população cubatense. Porque com a anexação do prédio do teatro vai aumentar o espaço físico e, aliado ao investimento e experiência da Fundação São Francisco Xavier, será possível a implantação de serviços de alta complexidade, tais como tratamento em câmara hiperbárica, hemodiálise e quimioterapia para pacientes de oncologia.

Fundação capaz A FSFX tem como diferencial a experiência em gestão hospitalar, por meio das unidades próprias em Ipatinga e Itabira (ambas em Minas Gerais). Administra há mais de 50 anos o Hospital Márcio Cunha, que atualmente conta com 543 leitos em duas unidades, além de uma terceira exclusiva para o tratamento de pacientes com câncer, sendo referencia para cerca de 800 mil habitantes em mais de 35 municípios do Leste e de Minas Gerais. Em 2016, a Fundação assumiu a gestão do Hospital Municipal Carlos Chagas, em Itabira.

Possui também mais 4 unidades de negócio: o Colégio São Francisco Xavier, a operadora de planos de saúde Usisaúde, o Centro de Odontologia Integrada e o Serviço de Segurança do Trabalho, Saúde Ocupacional e Meio Ambiente – Vita. “Somos referência para cerca de 800 mil habitantes em mais de 35 municípios do Leste de Minas Gerais (Vale do Aço)”, ressaltou o diretor executivo da Fundação, Luís Márcio Araújo Ramos.

“Um novo tempo começará para o Hospital de Cubatão e usuários da região. Não podemos aceitar nada que não seja oferecer o melhor que pudermos em gestão eficiente e know-how em saúde pública. Por isso, um hospital, que já era referência une-se a uma marca referência nacionalmente, expandindo suas fronteiras. Cumpriremos nossa responsabilidade com a comunidade, adaptando a estrutura, modernizando os serviços, oferecendo equipamentos ideais e profissionais focados na excelência e humanização do atendimento”, conclui o diretor Luís Ramos.

Meritocracia Para o prefeito Ademário Oliveira, a fundação da Usiminas “foi contemplada por meritocracia. Com este ato, consolidamos uma reabertura sustentável”, disse para uma plateia formada por secretários municipais, diretores, vereadores, líderes comunitários e profissionais da Saúde.

Abner Moreira de Araujo Junior – Superintendente do Hospital de Cubatão, Ademário da Silva Oliveira – Prefeito, Luís Márcio Araújo Ramos – Diretor Executivo da Fundação São Francisco Xavier e Italo Quidicomo – Gerente Geral de Recursos Humanos da Usiminas.
Foto: Ian Lopes

Ademário relata preocupações com saúde ao Governador Geraldo Alckmin

Hospital vive a maior crise de sua história. Foto: Raimundo Rosa.

Hospital vive a maior crise de sua história. Foto: Raimundo Rosa.

O governador Geraldo Alckmin esteve na última quarta-feira (15), em Praia Grande, onde recebeu do vereador Ademário da Silva Oliveira (PSDB) um relato sobre a situação difícil enfrentada pelo Hospital Modelo de Cubatão. O assunto saúde pública regional dominou boa parte da visita do governador a vários dos municípios da Baixada Santista, mas destacou que está em fase de efetivação um novo convênio de auxílio financeiro do Programa Santas Casas Sustentáveis para o Hospital Municipal de Cubatão.

Em seguida, o vereador Ademário obteve da diretora regional de Saúde, Paula Covas Borges Calipo, o detalhamento de como será realizado o apoio do Governo do Estado a Cubatão. Paula Covas explicou que “o auxílio será em 7 parcelas mensais no valor de R$ 247.468,08, totalizando R$ 1.732.276,56 para custeio – material de consumo e prestação de serviços médicos e, investimento, cujo objetivo é aprimorar a gestão hospitalar visando a melhoria na qualidade do atendimento”.

A dirigente regional confirmou também que Estado e Prefeitura devem se reunir no próximo dia 20 (segunda-feira), para tratar especificamente do Hospital Modelo, contando inclusive com a presença e participação do Secretário de Estado da Saúde, David Uip, atendendo a pedido da promotora de Justiça Larissa Motta Nunes.

“Vamos conversar sobre a situação. Temos um momento emergencial do hospital, mas precisamos definir um plano para que essas dificuldades não se repitam. A responsabilidade pelo hospital municipal é da Prefeitura e o Estado já fornece recursos específicos para ajudar na manutenção, por entender que o equipamento é importante no contexto da Saúde regional”, destacou Paula.

O Programa Santas Casas Sustentáveis representa um complemento à tabela do SUS, e é de 40% acima do teto pago pelo Sistema Único de Saúde.

AHBB – A Associação Hospitalar Beneficente do Brasil que gerencia o hospital com recursos repassados pelo município, entre sexta e segunda-feira desta semana, recebeu R$ 2 milhões, que foram utilizados para pagar fornecedores e alguns médicos da maternidade: “Não sobrou dinheiro suficiente para uma folha de pagamento completo e não houve pagamento nenhum aos empregados”, disse Paulo Pimentel, presidente do Sintrasaúde, que lidera greve de quase 90% do quadro estimado em cerca de 450 trabalhadores.

Crise financeira prejudica atendimento no Hospital

Cubatão não consegue manter o seu hospital.

Cubatão não consegue manter o seu hospital.

A Prefeitura de Cubatão distribuiu nota à imprensa no início desta semana, informando que o Hospital Municipal dará prioridade a pacientes da Cidade em situações que não forem de emergência. Justifica que essa atitude é por causa da crise financeira no Município, e que a Prefeitura não está conseguindo honrar o pagamento do custeio do complexo de saúde – R$ 4,4 milhões mensais, dos quais 80% são repassados pela Prefeitura à Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB), gestora do hospital.

Para o secretário municipal de Saúde, Benjamin Rodriguez Lopez, a Prefeitura está sendo obrigada a reprogramar e atrasar pagamentos. E não está nada otimista com o quê está por vir: “A perspectiva nos próximos meses é bastante preocupante. Então, a alternativa, neste momento, é garantir os atendimentos hospitalar e ambulatorial para o morador de Cubatão”, disse o médico por meio da nota escrita pela assessoria de comunicação.

Benjamin Lopez acompanhou a prefeita Marcia Rosa (PT) em viagem a Brasília, em busca de mais verba federal para o hospital. Segundo ele, do dinheiro necessário para mantê-lo, 83,4% provêm do Município, 16,5% da União e 0,1% do Governo Estadual – sem arredondamento, o Estado contribui com 0,13%, de acordo com a Secretaria de Saúde cubatense.

A prefeita petista enfatiza que “Cubatão precisa de uma decisão política de socorro ao Hospital Municipal, que atende, além da população local, cidades vizinhas e vítimas de acidentes nas rodovias e nas indústrias. A Central de Vagas (de internação) não vem transferindo nossos pacientes e encaminha pessoas de outras cidades”.

Fácil cobrar o Estado

Benjamin Lopez acrescenta à fala da prefeita Marcia Rosa, que “o fato de (o hospital) estar localizado à beira das rodovias faz com que a procura por nosso serviço seja muito grande. A população de Cubatão não pode continuar sendo prejudicada, pagando esse preço sozinha. Precisamos de apoio para dividir essa responsabilidade”.

Além da tentativa de obter mais dinheiro do Governo Federal, já se pediu verba estadual outras vezes, ainda segundo o secretário “Somos a única cidade da região onde o Estado não conta com sequer um equipamento de Saúde. Isso precisa mudar”, considera o médico Benjamin.